Em mais uma sessão marcada por forte volatilidade, nesta terça-feira (20/1), o dólar terminou o dia operando em alta frente ao real, cotado a R$ 5,38.
O principal foco de atenção dos mercados continuou sendo a escalada nas tensões entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a Europa, em meio à declarada intenção do líder norte-americano de “comprar” a Groenlândia – região autônoma que pertence à Dinamarca.
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Os investidores também monitoraram o início do Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça). Trump deve fazer um pronunciamento no evento na quarta-feira (21/1).
Apesar da preocupação global, o Ibovespa, principal indicador do desempenho das ações negociadas na Bolsa de Valores do Brasil (B3), renovou sua máxima histórica ao cravar 166.406,78 pontos durante o pregão.
Dólar
- Ao final da sessão desta terça-feira, a moeda norte-americana avançou 0,3%, negociada a R$ 5,38.
- Na cotação máxima do dia, o dólar bateu R$ 5,409. A mínima foi de R$ 5,359.
- Na véspera, o dólar fechou em leve queda de 0,16%, cotado a R$ 5,364.
- Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 1,98% frente ao real em 2026.
Ibovespa
- O Ibovespa, principal índice da B3, começou o pregão no vermelho, mas inverteu o sinal e passou a operar em alta – renovando, inclusive, a máxima histórica durante o pregão.
- Por volta das 17 horas, na reta final da sessão, o Ibovespa avançava 0,72%, aos 166 mil pontos.
- Nesta terça, o índice bateu seu novo recorde intradiário (durante o pregão), cravando 166.406,78 pontos.
- No dia anterior, o Ibovespa fechou em alta de 0,03%, aos 164,8 mil pontos.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula valorização de 2,35% no ano.
Trump “finca a bandeira” dos EUA na Groenlândia
Em meio à tensão envolvendo os EUA e a União Europeia (UE) acerca da Groenlândia, Donald Trump publicou uma imagem em que ele finca a bandeira norte-americana na Groenlândia. A imagem mostra Trump segurando a bandeira dos EUA em um cenário com neve, ao lado do vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio. Uma placa na imagem traz o escrito: “Groenlândia, território dos Estados Unidos, estabelecido em 2026”.
A Groenlândia é um território autônomo, porém pertencente ao reino da Dinamarca – a política externa e a defesa do território são responsabilidade dinamarquesa. A região é considerada estratégica pelos EUA devido à sua posição no Ártico. Há bases militares norte-americanas na região, e Trump alega que é um território “essencial para a defesa dos Estados Unidos”.
Como parte da comunidade dinamarquesa, a Groenlândia é membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), assim como os EUA.
No último sábado (17/1), Trump ameaçou impor tarifas a oito países da Europa, em busca de pressioná-los a aceitarem a anexação da Groenlândia pelos EUA. Em resposta às ameaças de Trump, diversos países europeus membros da Otan, como Alemanha, Suécia e Noruega, enviaram militares à região da Groenlândia, a pedido da Dinamarca.
Após a ameaça de Trump de impor tarifas a países europeus, a União Europeia convocou uma reunião de emergência no domingo (18/1). O bloco avalia uma retaliação comercial que pode chegar a 93 bilhões de euros (cerca de R$ 580 bilhões) contra os EUA.
Nesta terça-feira, o Parlamento Europeu decidiu suspender o processo de ratificação do acordo comercial entre a UE e os EUA, segundo a imprensa internacional. A medida seria em resposta ao anúncio de Trump de que tarifas seriam impostas aos países europeus que se colocassem contra a uma possível anexação da Groenlândia.
O acordo comercial foi feito entre a UE e os EUA em julho passado. Segundo teria dito Iratxe García Pérez, presidente do grupo S&D (Socialistas e Democratas, que inclui o PS – Partido Socialista), existe um “acordo maioritário” entre os grupos políticos do parlamento para congelar o acordo comercial celebrado em julho de 2025 entre os Estados Unidos e a UE.
O PPE (Partido Popular Europeu, que integra os portugueses PSD e CDS-PP), considerado o maior e mais influente grupo político de centro-direita do parlamento, também teria confirmado o congelamento nas discussões sobre o acordo.
Macron se torna alvo de Trump
O presidente dos EUA, Donald Trump, tem escalado suas investidas contra líderes da Europa, contra os quais briga para levar adiante seus planos de anexar a Groenlândia. Nesta terça-feira, o alvo foi o presidente da França, Emmanuel Macron: Trump expôs em sua rede social, a Truth Social, trechos de uma mensagem pessoal enviada a ele pelo francês.
Na mensagem, Macron teria chamado Trump de amigo e dito que “não entende o que ele está querendo com a Groenlândia”. O presidente norte-americano faz grande pressão para que o território autônomo, mas pertencente ao reino da Dinamarca, seja anexado aos EUA.
Apesar do impasse, Macron teria mencionado que apoia Trump na Síria e no Irã. O presidente francês ainda convidou o norte-americano para jantar em Paris, na quinta-feira (22/1), antes que ele volte para os EUA.
Trump está em Davos, na Suíça, para participar do Fórum Econômico Mundial. Sua presença tem sido o centro das atenções do evento devido a tensões internacionais e suas recentes declarações sobre a Groenlândia.
A conversa com Macron foi vazada por Trump logo após ele ameaçar a França, nessa segunda-feira (19/1), com uma tarifa de 200% sobre vinhos e champanhes franceses. A ministra francesa da Agricultura, Annie Genevard, afirmou que considera a ameaça “inadmissível”.
A medida é apresentada como uma retaliação direta após o presidente francês recusar o convite de integrar o recém-proposto “Conselho da Paz”, iniciativa de Trump que pretende rivalizar com as Nações Unidas na resolução de conflitos globais.
Bolsas em queda nos EUA e na Europa
A tentativa de Donald Trump de tomar posse da Groenlândia e os temores acerca dos impactos geopolíticos e econômicos da crise afetaram as principais bolsas de valores em todo o mundo.
No fim da tarde, os principais índices das bolsas norte-americanas (Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq) operavam em forte queda. Na Europa, os principais indicadores tiveram mais um dia no vermelho.
Análise
Segundo Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, a queda generalizada dos mercados foi motivada “por tensões geopolíticas envolvendo ameaças tarifárias do presidente Donald Trump contra países europeus na disputa pela Groenlândia”.
“No Brasil, o Ibovespa contrariou a tendência externa e renovou máximas intradiárias, enquanto o dólar operou estável, após abrir em alta, com um fluxo estrangeiro para o Brasil em meio à saída de capitais dos EUA e Europa e com altas de commodities. Já os DIs (depósitos interbancários) subiram, acompanhando a pressão externa dos ‘treasuries’ norte-americanos e as incertezas globais, especialmente em prazos mais alongados”, concluiu.























