Assim que o convidado famoso se senta no sofá do “Lady night”, Jorge Maria liga o seu equipamento e começa a monitorá-lo, antes mesmo de o quadro “Héctor Bolígrafo” ser anunciado por Tatá Werneck.
— Assim, desde o início da gravação, consigo ter noção de como a pessoa se comporta nas saias justas em que Tatá a coloca. Já é um termômetro da ansiedade dela — explica o poligrafista, de 63 anos, que virou sensação no talk-show de humor cuja nona temporada, originalmente veiculada pelo Multishow, tem seu último episódio exibido nesta terça-feira (9) na TV Globo.
Com três décadas de experiência na detecção de mentiras, traições e fraudes diversas, Jorge Maria já era um rosto conhecido de outros programas de TV, quando Tatá o convocou para compor o seu time.
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— Ela tinha a intenção de fazer um quadro diferente no “Lady night”. E me chamou na casa dela, onde estava com uns amigos, para saber como funcionava o polígrafo. Fizemos uma dinâmica entre eles e ela curtiu — lembra Jorge.

Ele garante que nada é pré-combinado entre os dois antes de o programa começar:
— Não tem ensaio, eu realmente não sei o que Tatá vai perguntar para o artista. E ela me deu liberdade para interagir, assim não fica uma coisa engessada. Eu já era fã da Tatá antes, mas depois que passei a conviver fiquei apaixonado. É uma “gênia”, domina tudo! — elogia.
A identidade que ele assume na atração também foi uma criação da apresentadora:
— Tatá é fã número 1 do “Chaves”, e nesse seriado tinha um ator mexicano chamado Héctor Bonilla. Então, ela misturou o sobrenome dele com “polígrafo”, e surgiu o Héctor Bolígrafo. Se me chamasse no palco pelo meu nome real, ficaria sério demais. E, sendo um personagem, dá pra colocar a culpa em mim se rolar alguma saia justa com o famoso, dizer que fui eu que menti.
Foi o que aconteceu nas participações de Ivete Sangalo e Eliane Giardini no programa:
— Tatá perguntou se Ivete já tinha usado playback em show, ela disse que não, e verifiquei que era mentira. A cantora não gosta de ser contrariada e rebateu: “Você está louco!”. Aí Tatá já entrou: “Você é louco? Esta mulher é a maior cantora do Brasil! A máquina está quebrada!”. Para não deixar nenhum mal-estar no ar… E com Eliane a pergunta foi se ela já tinha traído. Ela não falou nada, só negou para Tatá com a cabeça. Só que eu também faço leitura corporal, e afirmei que era mentira. Ela se indignou dizendo que a máquina era de voz (risos).
Jorge Maria conta como avalia a confiabilidade alheia:
— Um software no notebook acompanha a frequência verbal da pessoa. Normalmente, a voz do ser humano tem de 8Hz a 12Hz. Se fica acima de 10,5Hz ou 11Hz, possivelmente uma mentira está sendo contada. O corpo também fala: mexer o ombro esquerdo, piscar mais rapidamente, colocar a mão na ponta do nariz, mexer na orelha, virar os olhos para o outro lado, ter um pigarro, cruzar os braços… Tudo isso denuncia.
Mesmo expert em mentiras, ele afirma deixar-se ser ludibriado no dia a dia:
— Se eu levar toda conversa com rigor, a vida fica chata. Gosto de relações leves, bem-humoradas. Colocar um amigo em xeque não vai me agregar nada — explica ele, que fora da TV mantém uma empresa de consultoria com a ajuda da esposa e de dois filhos: — Na TV, recebo cachê. O mercado dos seguros é o que me sustenta.
Teste: ele está mentindo ou falando a verdade?
O EXTRA pediu a Jorge Maria que dissesse cinco frases sobre si mesmo para que você avaliasse ser verdade ou mentira. O resultado está lá embaixo…
- “Meu avô vendeu dois imóveis que tinha em São Caetano (SP), comprou um circo e saiu pelo Brasil. Morreu sem casa própria, mas feliz.”
- “Eu sou palmeirense doente! No Rio, torço pelo Botafogo.”
- “Já fui dono de uma padaria e adorava fabricar sonhos.”
- “Já vendi chicletes e biscoitos nas ruas num período em que fiquei desempregado.”
- “Já fui contratado por uma atriz famosa para descobrir se o parceiro a estava traindo, flagrei, mas ela o perdoou.”
Respostas: 1 – Verdade; 2 – Mentira (ele é são-paulino); 3 – Mentira (ele já teve uma videolocadora); 4 – Verdade; 5 – Verdade.





















