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SAÚDE MENTAL

Projeto de extensão investe em redução de danos

Professores e alunos atuam em diferentes atividades na UFMT

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Alunos da disciplina Campo de Estágio Básico II, do curso de Psicologia no Instituto de Educação, desenvolvem o projeto de extensão “Redução de Danos da UFMT”. O projeto atua em espaços da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) para apoiar a política de redução de danos como proposta ética ao lidar com a questão das drogas por se configurar como uma alternativa ao modelo criminal, moral e proibicionista, que prega a abstinência como o único objetivo a ser atingido.

De acordo com a professora do curso de Psicologia, Gislayne Figueiredo, o projeto começou em Agosto de 2023, por iniciativa de um grupo de alunos como prática supervisionada da disciplina-estágio Contextos sociocomunitários, do curso de psicologia. “É sabido que não só os discentes, mas toda a comunidade acadêmica, apresenta inúmeras necessidades em saúde mental, com altos índices de adoecimento. Uma dessas necessidades está no campo do uso abusivo de substâncias psicoativas, com todos os prejuízos que esse uso abusivo pode acarretar”, contou a professora que supervisiona o projeto em conjunto com o professor Amailson Sandro de Barros.

A professora Gislayne Figueiredo explica que a Redução de Danos é uma estratégia de cuidado em saúde mental prevista na política nacional de saúde mental e reconhecida como muito eficaz pelo Ministério da Saúde, com resultados extremamente positivos. “Mas que sofre uma série de preconceitos por parte daqueles que não a conhecem. Entre seus objetivos podemos citar o de evitar agravos em saúde decorrentes do uso, impedir e/ou minorar situações de vulnerabilidade e violência, promover a conscientização quanto a um uso mais seguro”, enfatiza.

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Estagiários realizam ações de apoio

Segundo a docente, atualmente, um novo grupo de estagiários vêm desenvolvendo as intervenções de Redução de Danos dentro do campus e em atividades externas, mas estritamente ligadas à vida da comunidade acadêmica. “Entre as várias ações, podemos citar ações coletivas (posto que os estudantes que não são do projeto e se encontram no ambiente, são chamados a participar) de limpeza em áreas eventualmente utilizadas para uso de substâncias. Durante essas ações, são realizadas conversas educativas, de orientação  e de conscientização quanto ao uso seguro das várias substâncias”, relata.

O grupo realiza também panfletagem e orientações visando a redução dos impactos negativos do uso em espaços coletivos da universidade, como o Restaurante Universitário ou atividades acadêmicas promovidas pelos discentes.  Há também ações de redução de danos em festas promovidas pelos discentes da universidade, com distribuição de água, doces como prevenção de coma alcóolico, acolhimento às pessoas que não estão sendo capazes de manter um autocuidado satisfatório.

A professora Gislayne Figueiredo conta também que estão em curso tentativas de estabelecer parcerias para ampliar as ações em saúde mental voltadas para a comunidade acadêmica e o planejamento de um encontro/simpósio a fim de ampliar o conhecimento sobre o assunto. “Como resultados, é preciso assinalar que as ações evidenciam um grande impacto, abrindo um espaço para que os estudantes que fazem uso dessas substâncias consigam parar para pensar sua relação com estas, haja vista que a posição de não-julgamento e a presença de um discurso acolhedor e não moralizante tem criado situações de diálogo, de reflexão e de elaboração por parte das pessoas atendidas”, reforça.

A estudante de psicologia e participante do grupo Roberta Samyly Carlos Silva conta que participar do projeto como aluna tem sido uma experiência muito rica por fazer a diferença para a comunidade “A impressão que eu tenho com o projeto é de estarmos fazendo passinhos de formiga de algo maior que vai ser construído e que essa é uma demanda muito grande no meio acadêmico e que pouco se fala, pouco se discute que não seja caindo nos discursos tradicionais de proibicionismo, então, é uma realização importante conseguir levar informação pros estudantes e promover o acolhimento e escuta deles que são pautas que a Psicologia fala”, enfatiza.

De acordo com a professora Gislayne Figueiredo há aceitação das intervenções nos mais variados espaços, bem como as solicitações para que os estagiários estejam presentes em atividades como indicador da necessidade e da importância do trabalho. “Percebe-se como resultado um aprendizado bastante significativo não só para os participantes do grupo de estagiários que realização a ação, mas para toda a turma de Estágio Básico em Contextos sociocomunitários, com a ampliação da compreensão sobre como pode se dar a atuação em saúde mental, e com a desconstrução de uma série de visões incorretas (e estigmatizadas) sobre os processos de saúde-doença”, finaliza.

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