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NOVA FASE

Aline Campos assume programa de TV e relembra preconceito na carreira: ‘Era objetificada’

Ao site IstoÉ Gente, a dançarina fala sobre novos rumos, da época do “Domingão” e troca de sobrenome
Aline Campos na época do “Domingão do Faustão” – Reprodução/Globoplay

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Aline Campos, 37 anos, agora tem um programa para chamar de seu. Além de dançarina, influenciadora digital e empresária, ela também carrega o título de apresentadora há um mês, quando estreou no comando do “Segue o Baile”, no canal E!.

O reality show mostra 12 jovens talentos da dança, com estilos únicos e corpos diversos, que estão em busca de reconhecimento e de um prêmio de R$ 50 mil.

Em entrevista exclusiva ao site IstoÉ Gente, a artista fala sobre a oportunidade de apresentar uma atração na TV paga, que envolve sua maior paixão – a dança –, recorda a época em que era bailarina do “Domingão do Faustão”, da Globo, explica o motivo de ter trocado o sobrenome “Riscado” por “Campos”, e relembra o preconceito que sofreu ao longo da carreira: “Era objetificada”.

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A artista conta que recebeu o convite para apresentar o “Segue o Baile” após quatro anos de negociações e se sente grata pela oportunidade.

“Me senti muito honrada. Primeiro porque o meu objetivo hoje de vida é trabalhar me comunicando, sendo eu. Eu amo apresentar, amo falar sobre assuntos em que eu acredito. E receber a proposta de apresentar um programa de TV nesse universo de onde eu vim é um grande presente. Fiquei muito emocionada”, declara.

Aline pontua que o convite veio depois de passar por diversas situações desagradáveis para conseguir atingir o seu objetivo profissional.

“Eu enxergo essa oportunidade realmente como um presente mesmo. Como tudo o que eu passei até aqui, todo o trabalho que eu fiz, todos os ‘nãos’ que eu ouvi, todos os preconceitos – porque a gente migrar dentro da arte, dentro da TV, de um lugar para o outro, sempre tem uma resistência. É difícil as pessoas se abrirem e entenderem que nós, artistas, podemos ser plurais, mas às vezes o público demora um pouco para entender que podemos ser boas em vários lugares, em várias funções” explica.

Ao ser questionada sobre os obstáculos que os profissionais de dança enfrentam, a bailarina afirma que sentiu na pele o machismo e o sexismo desde a adolescência, quando já estudava a modalidade artística.

“No balé clássico, as pessoas olham para a bailarina como se ela fosse uma boneca que quebrasse. Tem até aquela música que fala que ‘todo mundo tem [alguma coisa], só a bailarina não tem’. Quando cheguei à adolescência, essa música me tocou. Às vezes eu ia ao balé um pouco descabelada e ouvia do professor: ‘Ou você é mulher, ou você é bailarina.”

“E aí eu comecei a dançar outros estilos, dançava em festas, em baladas, e passei a viver o outro lado da moeda e ser objetificada. Vivi muitos preconceitos de pessoas que me olhavam dançando ali e achavam que podiam me desrespeitar, sendo que eu estava trabalhando para ganhar a minha grana, fazendo o que eu amava com o meu profissionalismo. Enquanto estava todo mundo bebendo na festa, por exemplo, eu estava no camarim esperando o momento de entrar para dançar. Então, eu me senti, por muitas vezes, injustiçada”, lamenta.

Apesar de acreditar que a dança ainda é uma vertente da arte pouco valorizada, Aline reconhece que o avanço das redes sociais deu uma guinada na profissão.

“Graças às redes sociais, a dança está ganhando reconhecimento. Hoje em dia, uma grande bailarina se torna uma grande influenciadora, e as pessoas têm orgulho, as pessoas valorizam, as pessoas querem ser iguais. A melhora está crescendo, a valorização em relação à dança, mas ainda não se compara às outras artes. As pessoas acham que uma atriz ou uma cantora são muito melhores do que uma bailarina”, pontua.

‘Domingão do Faustão’

No palco do dominical comandado por Fausto Silva de 2011 a 2014, Aline Campos fez seu nome – na época ainda “Riscado” – e entende que fazer parte do corpo de balé do programa da Globo foi fundamental para atingir propósitos da carreira no futuro.

Porém, com a grande exposição vieram os comentários maldosos, que a colocaram em um lugar de “privilegiada” perante às demais profissionais.

“Nada foi fácil para mim. Já ouvi muita gente falando que no balé do Faustão a câmera estava sempre em mim, que eu aparecia muito, mas só eu sei o que eu passava também lá dentro, que as coisas não eram tão fáceis assim. Eu não tinha privilégios lá dentro”, defende-se ela, sem dar detalhes de quais os obstáculos dos bastidores.

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