Os motoristas de ambulância de Várzea Grande informaram que suspenderam, a partir da manhã desta quarta-feira (31.12), a execução da dupla função de motorista e maqueiro no município. A decisão foi tomada após a redução unilateral do valor pago pela Secretaria Municipal de Saúde referente à BIPRE, gratificação que compensava o exercício simultâneo das duas atividades.
Segundo a categoria, havia um acordo firmado para o pagamento mensal da BIPRE no valor de R$ 1.381,83, sem incidência em férias, décimo terceiro salário ou encargos. Mesmo sendo inferior ao salário mínimo vigente, os profissionais afirmam que aceitavam o valor como forma de compensação pelo acúmulo de funções.
NOTÍCIAS QUENTES – Acesse o grupo do Isso É Notícia no WhatsApp e tenha notícias em tempo real (CLIQUE AQUI)
De acordo com os motoristas, esse modelo sempre foi mais econômico para a Prefeitura de Várzea Grande, já que a contratação de maqueiros exclusivos para acompanhar as ambulâncias geraria um custo significativamente maior ao Município, considerando o número de profissionais em atividade.
No entanto, conforme relatado pela categoria, no mês de dezembro o valor foi reduzido sem aviso prévio ou diálogo. Os holerites apontam pagamento de apenas R$ 500,00, o que representa menos de R$ 35,00 por plantão de 12 horas.
Em entrevista ao VGnotícias, na manhã desta quarta-feira (31), um dos motoristas, que pediu para não ser identificado, detalhou o impacto financeiro e operacional da decisão da Secretaria. “Hoje somos um total de mais de 20 motoristas de ambulância distribuídos entre as unidades. Em cada Unidade de Pronto Atendimento (UPA) são quatro motoristas, dá oito. No Pronto-Socorro (PSVG) são mais seis, aí já vai para 14. Na Rede Cegonha são mais quatro, chega a 18, fora os motoristas da atenção básica”, explicou.
Segundo ele, a suspensão da dupla função também evidencia que a alternativa de contratar maqueiros exclusivos geraria um custo maior ao Município. “Se a Prefeitura fosse pagar um maqueiro para cada ambulância, teria que pagar um salário mínimo mais 40% para cada um, fora adicional noturno. Então, não compensa”, afirmou.
O motorista fez ainda uma crítica à condução da política de saúde. “Essa gestão, literalmente, está levando a saúde ladeira abaixo”, declarou.
Diante do cenário, os profissionais decidiram suspender exclusivamente a execução da função de maqueiro, permanecendo apenas no cumprimento das atribuições legais previstas na Lei Complementar do Município para o cargo de motorista de ambulância. Com isso, caberá à Administração Municipal disponibilizar maqueiros para acompanhar os atendimentos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), Unidades Básicas de Saúde (UBSs), Pronto-Socorro, Rede Cegonha e demais serviços que utilizam ambulâncias.
A categoria afirma ainda que havia expectativa de avanços com a atual gestão, especialmente quanto à valorização profissional. Entretanto, além da redução considerada indevida da BIPRE, o Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) segue sem andamento, apesar de promessas de diálogo.
Outro lado
Procurada pelo VGnotícias, a Secretaria Municipal de Saúde de Várzea Grande informou, por meio de nota, que não há qualquer paralisação dos serviços de saúde no município em decorrência de questões relacionadas à folha de pagamento dos servidores da área. A pasta esclareceu que os valores devidos aos profissionais da saúde não foram suprimidos e serão quitados na folha complementar do mês de janeiro, após a recomposição orçamentária prevista. A gestão municipal afirmou ainda que mantém compromisso com a legalidade, a transparência e a continuidade dos serviços prestados à população.
A Secretaria Municipal de Saúde de Várzea Grande esclarece que não há qualquer paralisação dos serviços de saúde no município em decorrência de questões relacionadas à folha de pagamento dos servidores da área.
A pasta reforça que os valores devidos aos profissionais da saúde não foram suprimidos e serão quitados na folha complementar no mês de janeiro, após a recomposição orçamentária prevista.
A gestão municipal reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e, sobretudo, com a manutenção da continuidade dos serviços prestados à população.
























