O deputado estadual Paulo Araújo (PP) não negou nesta quinta-feira (15) teor do áudio em que critica o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União), seu aliado, e atacou o autor da reportagem que revelou a gravação, o repórter Lázaro Thor, do site PNB Online.
Araújo chamou a gravação de “clandestina”, “criminosa” e “irregular” e disse que fará um boletim de ocorrência contra o jornalista Lázaro Thor. O deputado também conclamou o Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT) a repudiar a gravação.
“Gravação criminosa, irregular, inclusive vou pedir à Assembleia Legislativa que tome providências, gravar de forma irregular é crime, eu sou uma autoridade pública, eu estava em um ambiente de trabalho, conversa reservada com duas pessoas”, afirmou. “Jornalista que faz gravação irregular deveria, ao rigor da lei, que a lei tome as providências, logicamente vou registrar um boletim de ocorrências”, completou o deputado.
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Araújo disse que foi feito um recorte de 3 minutos em uma conversa de 30 minutos. Segundo ele, o que foi dito sobre o governador não é novidade para ninguém com relação aquilo que Mauro Mendes fala.
“Naquele momento, nos recortes, eu dizia para o colega: 98% da população não é servidor público, 98% da população não gosta de servidor público, eu gosto de servidor público, eu sou servidor público. O Mauro sempre deixou muito claro que ele trabalha para 100% da sociedade”, afirmou Araújo.
Por meio de nota, a Secretaria de Comunicação da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) também criticou o repórter autor da matéria, alegando que a gravação carecia de “autorização ” do deputado.
Nota da redação: Como afirmou o deputado Paulo Araújo, a gravação foi feita em um espaço público: a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. No local, transitam repórteres e profissionais de imprensa diariamente. A fala do deputado foi feita em um local com diversas pessoas presentes, em alto e bom som, para todas as pessoas próximas ouvirem o que foi dito. O deputado não solicitou a ninguém que a fala fosse off the record (sem gravação), como normalmente figuras políticas fazem com jornalistas para comentarem sobre temas sensíveis.
A gravação foi realizada por conta do interesse público contido nas declarações do deputado. Publicar e registrar aquilo que é de interesse público é missão primordial do jornalismo. Não há que se falar, portanto, em gravação “clandestina”, “irregular” ou “criminosa”, como afirmou o parlamentar. A declaração do deputado Paulo Araújo representa somente mais um ataque à imprensa mato-grossense, que cumpre diariamente o papel de informar os cidadãos e revelar aquilo que muitos políticos não querem que seja revelado.





















