A alta probabilidade de atuação do El Niño em Mato Grosso no segundo semestre deste ano poderá influenciar a projeção da safra de soja 2026/27 no Estado, principal produtor do Brasil.
Segundo boletim do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a produtividade da safra está estimada em 62,44 sacas por hectare, uma queda de 5,43% em relação ao ciclo anterior. Já a produção total de soja para 2026/27 foi projetada em 48,88 milhões de toneladas, uma redução de 5,19%.
O Imea destaca que a área, que será semeada a partir de setembro, deve crescer, mas em ritmo muito menor em relação aos anos anteriores, chegando a 13,04 milhões de hectares, ou elevação de 0,25% se comparado com 2025/26, refletindo cautela diante de juros altos e crédito mais restrito.
Segundo o instituto, essa influência na projeção da safra da oleaginosa aconteceu com base em previsões da National Oceanic and Atmospheric Administration (Noaa), que indica chance de 80% da ocorrência do El Niño no 1° trimestre de desenvolvimento da soja.
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Com essa previsão climática, e um cenário de possível irregularidade das chuvas no Estado e variabilidade hídrica, especialmente em uma fase decisiva para o estabelecimento das lavouras, o desenvolvimento inicial da soja pode ficar comprometido, elevando o risco produtivo já no início da temporada.
Embora o El Niño ainda não esteja configurado no Estado, de acordo com o coordenador de Inteligência de Mercado do Imea, Rodrigo Silva, o comportamento climático será determinante para o desempenho da safra.
Irregularidade das chuvas
Caso o fenômeno se consolide entre o segundo semestre de 2026 e o início de 2027, seus efeitos tendem a coincidir com o plantio e os estágios iniciais da soja em Mato Grosso.
“O que mais chama atenção neste primeiro levantamento é justamente o fator climático. Com uma probabilidade elevada de El Niño, a tendência é de maior irregularidade das chuvas no início do ciclo, o que pode impactar diretamente o potencial produtivo das lavouras”, afirma, em nota.
Em análise complementar, Rodrigo ressalta que o instituto já incorporou esse risco nas projeções iniciais. Segundo ele, a estimativa de produtividade reflete um cenário mais “conservador”.




















