O Brasil se tornou uma potência agroalimentar porque milhões de produtores rurais acordam todos os dias dispostos a enfrentar desafios que poucos setores da economia conhecem tão bem. No campo, não basta trabalhar, investir e planejar. É preciso conviver com riscos permanentes que vão desde as condições climáticas até as oscilações de mercado, passando pelo aumento dos custos de produção e pelas dificuldades de acesso ao crédito.
Mesmo diante de tantas adversidades, o produtor rural continua fazendo sua parte. Produz alimentos, gera empregos, movimenta a economia e contribui decisivamente para o desenvolvimento do país. O que muitas vezes falta é que o poder público faça a sua.
Nos últimos anos, vimos milhares de produtores enfrentarem perdas causadas por secas, excesso de chuvas e outros eventos climáticos extremos. Ao mesmo tempo, aumentaram os custos com insumos, combustível e financiamento. O resultado é um cenário que preocupa famílias, cooperativas e empresas que dependem diretamente da atividade agropecuária.
É justamente por isso que tenho defendido uma política mais moderna e eficiente de gestão de riscos para o setor. O produtor não pode continuar dependendo da incerteza quando se trata de proteção para sua atividade. Quem investe milhões para plantar e produzir precisa ter a tranquilidade de saber que, diante de uma adversidade, haverá instrumentos capazes de preservar sua capacidade de continuar trabalhando.
A proteção da produção rural não pode ser tratada como uma medida secundária. Ela deve ser encarada como uma política estratégica para o país. Afinal, quando uma safra é perdida, os impactos não ficam restritos à porteira da fazenda. Eles chegam ao comércio, à indústria, ao transporte, aos empregos e, inevitavelmente, ao consumidor.
Por isso, considero fundamental avançarmos na construção de mecanismos que ofereçam maior previsibilidade para os programas de proteção ao produtor. O setor precisa de regras estáveis, planejamento de longo prazo e recursos que permitam ampliar a cobertura das atividades agropecuárias em todas as regiões do Brasil.
Também é necessário fortalecer instrumentos capazes de responder a eventos climáticos cada vez mais severos. As mudanças no clima já são uma realidade e exigem soluções compatíveis com os novos desafios enfrentados pelo campo. Não podemos esperar que o produtor assuma sozinho riscos que afetam diretamente a economia nacional.
Outro ponto essencial é a integração entre as políticas de financiamento e de proteção da atividade rural. O crédito continua sendo indispensável para garantir investimentos em tecnologia, produtividade e sustentabilidade. Mas ele precisa vir acompanhado de mecanismos que reduzam a vulnerabilidade do produtor diante de perdas inesperadas.
Defender essas medidas não significa criar privilégios. Significa reconhecer uma realidade econômica. Quando o produtor tem proteção, ele mantém sua capacidade de pagamento, preserva empregos, continua investindo e segue produzindo. Quando isso não acontece, o prejuízo se espalha por toda a cadeia produtiva e acaba gerando custos muito maiores para o próprio Estado.
Mato Grosso conhece bem essa realidade. Somos líderes na produção agropecuária nacional e sabemos que cada safra representa muito mais do que números. Representa renda, oportunidades e desenvolvimento para centenas de municípios.
O agro brasileiro não precisa de discursos vazios. Precisa de políticas públicas que ofereçam segurança, previsibilidade e respeito a quem produz. Como deputada federal, continuarei trabalhando para que o produtor rural tenha acesso a melhores condições de crédito, infraestrutura adequada, segurança jurídica e mecanismos modernos de proteção contra riscos.
Porque defender o produtor rural não é apenas defender o campo. É defender a economia, o emprego, a segurança alimentar e o futuro do Brasil.
*Os artigos de opinião são de responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do Isso É Notícia*
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