Hikaru Kurosaki, ator japonês conhecido mundialmente por protagonizar “O Fantástico Jaspion”, morreu aos 64 anos. A notícia foi confirmada por Masaki Sekiguchi, amigo do artista e membro da Associação de Mergulho da Cidade de Motobu, em Okinawa, onde Kurosaki vivia desde que deixou a televisão. A causa da morte não foi divulgada.
Eu estava na academia, já no colchonete fingindo alongamento enquanto mexia no celular escondida do professor, quando apareceu a notícia da morte do Jaspion. Parei na hora. Tem luto que não é só de fã, é de infância inteira. De televisão ligada, dublagem brasileira na cabeça e aquela sensação de que o herói sempre ia aparecer no último segundo para resolver tudo.
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Masaki Sekiguchi compartilhou o comunicado nas redes sociais. “Comunicamos, com pesar, o falecimento do Sr. Kurosaki, da operadora Mother Earth, membro da Associação de Mergulho da Cidade de Motobu. Como o Sr. Kurosaki morava sozinho, enviamos este comunicado para informar as empresas e parceiros do setor.”
Nascido em Osaka, em 31 de janeiro de 1962, Seiki Kurosaki passou a usar o nome artístico Hikaru Kurosaki e começou a carreira ainda jovem, primeiro como dublê. Antes de virar rosto principal de Jaspion, participou de produções da Toei Company que hoje são clássicos do gênero tokusatsu, como a versão japonesa de “Spider-Man”, “Battle Fever J”, “Denshi Sentai Denziman” e “Choudenshi Bioman”.
A virada veio em 1985, quando foi escolhido para interpretar Jaspion. A série foi exibida originalmente no Japão entre 1985 e 1986, mas encontrou no Brasil uma segunda casa. Por aqui, virou fenômeno de televisão, brinquedo, fita cassete, memória afetiva e culto pop.
Jaspion não foi apenas mais um herói japonês exibido por aqui. Ele virou senha geracional. Quem cresceu vendo a série lembra do visual metálico, das batalhas contra monstros gigantes, do Daileon, da trilha grudada na cabeça e daquela dramaticidade maravilhosa que fazia qualquer episódio parecer o fim do mundo.
Depois do sucesso, Kurosaki ainda tentou investir na carreira musical, lançando o álbum “The Legendary Hero” e alguns singles. Também voltou brevemente às telas em 1993, na série japonesa “Furikaereba yatsu ga iru”. Pouco depois, no entanto, decidiu deixar os holofotes.
A vida pós-TV teve outros caminhos. Ele trabalhou como vendedor de motocicletas, administrador de lanchonete e, por fim, instrutor de mergulho em Okinawa. Foi ali, longe da fama internacional e da imagem de herói, que passou os últimos anos.
Kurosaki foi casado com a atriz Yoko Asuka, que conheceu durante as gravações de “Choudenshi Bioman”. Ela morreu em 2011.
Eu fico pensando nessa curva: um homem que virou símbolo de coragem para milhões de crianças do outro lado do mundo, depois escolheu viver perto do mar, em silêncio, ensinando mergulho. Tem algo bonito e triste nisso. Como se o herói tivesse tirado a armadura, guardado o capacete e escolhido respirar de outro jeito.
Nas redes sociais, fãs brasileiros lamentaram a morte e lembraram a importância de Kurosaki para a cultura pop no país. Não é exagero dizer que Jaspion ajudou a abrir caminho para uma paixão nacional por tokusatsu, animes, séries japonesas e heróis vindos do outro lado do planeta.
Para muita gente, Hikaru Kurosaki foi o primeiro herói japonês de verdade. Antes de streaming, antes de fandom organizado, antes de nostalgia virar mercado, ele já estava ali, brilhando na TV, salvando a galáxia e fazendo criança brasileira acreditar que um traje prateado e uma nave gigante podiam vencer qualquer ameaça.
Hoje, o homem se vai. O herói, não. Jaspion continua naquele lugar onde a infância guarda suas coisas mais barulhentas e mais sagradas.




















