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ATRASOS E PROMESSAS

Deputado aciona a Justiça por ‘novela do BRT’

Parlamentar lembrou que população sofre com sucessivos atrasos nas obras, promessas não-cumpridas e anunciou ação judicial contra a Sinfra-MT, que executa a obra há 14 anos
Deputado Ludio Cabral (PT) e o secretário da Sinfra-MT, Marcelo de Oliveira

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O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) informou que vai entrar com ação na Justiça por conta dos atrasos sucessivos e suspeitas de superfaturamento nas obras do Bus Rapid Transit (BRT) em Cuiabá e Várzea Grande. Nesta quarta-feira (15), Lúdio cobrou novamente do governo de Mato Grosso explicações sobre o andamento e os custos da obra, que já ultrapassaram R$ 500 milhões em contratos. O deputado já fez uma representação ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), que apura a falta de licitação e os custos da obra do BRT.

“É meu dever como deputado fiscalizar o andamento da obra e cobrar o cumprimento dos prazos. O governador Otaviano Pivetta precisa responder quando o BRT entra em operação para atender à população de Cuiabá e Várzea Grande. E no caso específico das obras que estão em andamento, responder às suspeitas fortes de superfaturamento na construção das estações do BRT. Porque as explicações apresentadas na convocação são absolutamente frágeis e insuficientes”, afirmou Lúdio em resposta a ataques feitos pelo governador em entrevistas.

Na audiência de convocação realizada por Lúdio na segunda-feira (13) para discutir os problemas do BRT, o secretário de Infraestrutura de Mato Grosso, Marcelo de Oliveira, chegou a comparecer, mas abandonou a audiência pública no início, deixando apenas a equipe técnica para responder aos questionamentos dos deputados.

Lúdio destacou o aumento expressivo do valor previsto para as estações do BRT. “Um edital para construir 77 estações prever um custo de R$ 68 milhões e, 2 meses depois, o mesmíssimo edital trabalhar com custo de R$ 120 milhões, e o governo estadual alegar que isso é por conta da espessura do vídeo, do tipo de ar-condicionado, da quantidade de portas? Cada estação vai custar R$ 1,5 milhão no mínimo. Um ponto de ônibus custar R$ 1,5 milhão? Então eles precisam responder a isso”, disse.

Dos mais de R$ 500 milhões contratados pelo governo de Mato Grosso para a obra do BRT, cerca de R$ 400 milhões foram feitos sem licitação, em três contratos com a mesma empresa, sendo um deles por meio de consórcio e outros dois por contratação direta. O deputado lembrou que os transtornos causados pela obra à população se arrastam há muitos anos, sem a prometida solução para o transporte coletivo da capital.

“Mauro Mendes foi eleito governador em 2018 com a promessa de resolver esse problema. Em 2020, ele anunciou a mudança do modal e disse que até dezembro de 2022 o BRT estaria pronto, entregue e funcionando para a população de Mato Grosso. As obras só foram começar em 2023. Já tem meio bilhão de recursos contratados apenas para o trecho 1. Faltam 40% da pavimentação e 99% das estações nesse trecho. Os terminais estão com 100% de atraso. E nós estamos no final de 2026”, listou Lúdio.

“O atual governo fracassou em resolver esse problema, fracassou em realizar os direitos da população de Cuiabá e Várzea Grande no transporte público. Acima de toda essa questão que estamos debatendo está o drama que a população trabalhadora de Cuiabá e Várzea Grande. São 8 anos de fracasso do atual governo com relação a essa obra do BRT”, concluiu Lúdio.

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