Com preços insustentáveis dos combustíveis, a fila para instalação do kit gás veicular em Cuiabá só cresce. Em um dos estabelecimentos que presta o serviço, a procura aumentou cerca de 70% entre maio e agosto de 2021. A tendência é que o crescimento desse segmento fique mais intenso até o fim do mês, em razão de previsão de mais reajustes em combustíveis como o etanol.
A corrida pelo gás natural veicular (GNV) aquece um setor de serviços que estava adormecido. Fonte de energia mais barata, hoje o GNV é visto como o último recurso para quem depende do veículo particular para trabalhar, como os motoristas de aplicativos.
Antes de ficar ‘salgado’, o custo do etanol hidratado costumava ser vantajoso e era o preferido dos motoristas. Após sucessivas altas, o etanol passou a ser vendido por R$ 4,59 o litro em Cuiabá, enquanto a gasolina sai a R$ 6,19. O câmbio e as instabilidades políticas, com o reforço da seca e geadas que atingiram o Brasil, estão entre os acontecimentos que desequilibram e a balança na cadeia de combustíveis em todo país.
Em meio à valorização dos dois principais combustíveis, o GNV ganha destaque. Os moradores da capital são os únicos que podem usufruir do benefício de pagar, em média, R$ 2,86 por metro cúbico do produto, em um dos três postos adaptados para venda do gás natural, o mais barato do Brasil.
Ao equiparar preços e desempenho, muitos motoristas decidem por investir na adaptação do veículo. Com o aumento da procura, a fila para instalação do kit gás em uma das quatro convertedoras do estado deve passar dos 30 dias em breve. Até sexta-feira (20), a espera era de 23 dias na empresa de Nilson Teixeira, proprietário da Cidade Verde. “Só tenho vaga para o dia 14 de setembro”, afirmava.
A empresa de Nilson iniciou as atividades em 2020, convertendo uma média de oito carros por mês. Hoje, perto de completar um ano de abertura, em setembro, a empresa atende uma demanda de 115 a 123 veículo por mês. A busca pelo serviço começou a ficar mais intensa em maio deste ano.
“De maio para agosto, a demanda já cresceu 70% e agora temos problemas com fila. A vantagem do GNV é a economia. Se uma pessoa gasta mil reais por mês com etanol hoje, com o gás ela vai pagar entre R$ 300 e R$ 400 reais”, estima.
Para os preços praticados no dia 23 de agosto em Cuiabá, um carro popular que percorre cerca de R$ 200 km ao dia economizaria R$ 1.274,08 no fim do mês abastecendo com GNV. Esse motorista gastaria R$ 1.971,00 abastecendo com etanol e R$ 696,92 com GNV.
Só que investir no kit gás está mais caro que em 2020. A instalação das peças, que antes custava cerca de R$ 4,5 mil, hoje varia entre R$ 5,5 mil e R$ 6,5 mil, dependendo da escolha do consumidor. Segundo o empresário, apesar de ter ficado mais caro, a troca continua favorecendo o consumidor.
“Antes a pessoa que instalava o kit demorava três meses para pagá-lo. Agora é até menos, por causa do custo benefício do GNV. O consumidor também teve uma remuneração condizente com o progresso”, explica.
Com o mercado em expansão, as novas empresas convertedoras surgindo em Mato Grosso correm atrás de mão de obra qualificada. A empresa de Nelson, que abriu empregando sete funcionários, agora tem 18.
“Não temos profissionais capacitados para esse serviço e a formação demanda tempo, pois não é um processo simples e exige cuidado, pois um erro pode prejudicar a imagem do negócio”, pondera.
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Fonte: ESTADÃO MT





















