Nove de dezembro de 2022. Sala de conferências do Estádio da Cidade da Educação, em Al Rayyan, no Catar. Adenor Leonardo Bachi acessa o auditório demolido emocionalmente pela eliminação nos pênaltis por 4 x 2 contra a Croácia depois do empate por 1 x 1 nas quartas de final. Tite é questionado sobre o legado para a Copa do Mundo de 2026 após um ciclo organizado, punido severamente por uma falha coletiva a quatro minutos do encerramento da prorrogação.
O técnico responde: “O tempo pode responder melhor. A dor, por mais humana, coerente, consciente que eu possa ter, a emoção está aflorada. Não tenho condição de avaliar todo o trabalho realizado. Com o passar do tempo vocês farão essa avaliação. Não tenho essa capacidade agora depois de uma eliminação”, desabafou Tite na entrevista coletiva.
Cento e oitenta semanas depois, ou 1.264 dias, a Seleção se apresenta hoje na Granja Comary, em Teresópolis, na Região Serrada do Rio de Janeiro, valorizando a herança do treinador da Copa passada. Dos 11 titulares na vitória por 2 x 0 contra a Sérvia em 24 de novembro de 2022, nove são remanescentes na convocação de Carlo Ancelotti. As exceções são o centroavante Richarlison e o zagueiro Thiago Silva.
Outros seis reservas na edição passado do Mundial constam entre os 26 eleitos: Ederson, Weverton, Bruno Guimarães, Fabinho, Bremer e Gabriel Martinelli. Há pelo menos três interpretações entre várias possíveis: o trabalho de renovação foi prejudicado por quatro mudanças de técnico — Ramon Menezes, Fernando Diniz, Dorival Júnior e Carlo Ancelotti. Consequentemente, o italino priorizou os cascudos. Em contrapartida, é a maior quantidade de jogadores experientes, marcados por derrotas nas participações em Copas.
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Se quiser usar o legado de Tite na retomada do projeto do hexa contra Marrocos no próximo dia 13, no MetLife Stadium, em New Jersey, Carlo Ancelotti só precisa trocar dois nomes como mostra a foto da matéria: Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães no lugar de Thiago Silva e Alex Sandro; Casemiro e Lucas Paquetá; Raphinha, Neymar, Vinicius Junior e Matheus Cunha na função de Richarlison. Obviamente, o time dele deve ser outro.
Depois da convocação apoteótica no Museu do Amanhã no último dia 18, a apresetanção de hoje na Granja Comary tem tudo para ser pomposa. Carlo Ancelotti subirá a serra rumo a Teresópolis de carro acompanhado do diretor de seleções Rodrigo Caetano e do gerente Cícero Souza. O gerente técnico Juan e demais membros também irão em veículos.
Os astros da companhia desembarcarão em helicópteres alugados pela CBF. Foi assim também em 2014, quando a Seleção foi anfitriã da Copa do Mundo na gestão de José Maria Marin em parceria com Marco Polo Del Nero. “Vocês estão sendo bem tratados? O que a gente quer é dar privacidade aos jogadores, mas também condição de trabalho para vocês da imprensa”, brincou Marin à época ao desembarcar no CT.
Candangos
Os helicópteros partirão de São Paulo e do Rio de Janeiro em direção à Granja Comary. A intenção é correr contra o tempo. A contar de hoje, são 17 dias de preparação até a estreia contra Marrocos. Em vez de pegar a estrada, os jogadores estão agrupados nos voos. Um dos suspenses é se Neymar chegará com os companheiros ou sozinho.
Sem jogar desde o último dia 17, quando sofreu edema na panturrilha direita, Neymar será submetido a exames para avaliar o processo de cura da contusão. Ele não deve enfrentar o Panamá no domingo nem o Egito. Estima-se que ele esteja disponível a partida da estreia na Copa do Mundo. Se a contusão for considerada grave, há, sim, risco de corte, o que não acontece desde 2006, quando o zagueiro Edmílson deu lugar ao volante Mineiro.
A comissão técnica deseja ter 23 dos 26 convocados até o fim desta manhã. Marquinhos, Gabriel Magalhães e Gabriel Martinelli jogarão a final da Champions League no sábado, entre PSG e Arsenal, e só devem se unir ao grupo em New Jersey, nos Estados Unidos, a partir do próximo dia 2. Casemiro tinha chegada prevista para ontem, de carro, depois de um compromisso profissional em São José dos Campos (SP).
Estreantes na Copa do Mundo, Endrick e Igor Thiago, nascidos no Distrito Federal e criados, respectivamente, no Valparaíso e na Cidade Ocidental, curtiram os últimos dias de folga antes da apresentação de formas diferentes. O atacante do Lyon seguiu da França para Madri, na Espanha. De lá, embarcou rumo ao Rio de Janeiro para se apresentar a Ancelotti.
Igor Thiago chegou ontem no Aeroporto Internacional Tom Jobim. Era aguardado pela mãe, Maria Diva, e outros familiares para a despedida antes da primeira Copa do Mundo. O centroavante chega com status de vice-artilheiro do Inglês com 22 gols, cinco atrás da máquina norueguesa Haaland, o goleador máximo com 27.




















