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FÉ E CULTURA

Cuiabá celebra os 10 anos da Lavagem do Rosário com mensagem de paz e acolhimento

Cuiabá celebra os 10 anos da Lavagem do Rosário com mensagem de paz e acolhimento - Foto: Léo Alves

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Uma multidão participou, neste sábado (27), da 10ª edição da Lavagem das Escadarias da Igreja do Rosário e São Benedito, em Cuiabá. A programação teve início com um café da manhã no Museu da Imagem e do Som de Cuiabá (Misc), seguido de uma caminhada até a igreja, onde foi realizada a tradicional lavagem das escadarias. Neste ano, o tema escolhido foi “Os Imigrantes”, reforçando a mensagem de acolhimento, respeito às diferenças e promoção da cultura de paz.

O coordenador do Museu da Imagem e do Som, Francisco das Chagas Rocha, destacou que o evento reúne diferentes religiões de matriz africana em um gesto de diálogo e respeito mútuo. Segundo ele, a cerimônia possui forte significado histórico, já que a Igreja do Rosário foi construída por negros e mantém uma relação direta com a memória da população afrodescendente. “É um ato de ecumenismo. A Igreja do Rosário tem tudo a ver com essa africanidade, porque foi construída pelos negros”, afirmou. Ele acrescentou que o apoio do poder público fortalece iniciativas voltadas à cultura e à convivência entre diferentes tradições religiosas.

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Cuiabá celebra os 10 anos da Lavagem do Rosário com mensagem de paz e acolhimento – Foto: Léo Alves

Um dos fundadores da Lavagem do Rosário, Alair Fernando da Costa, ressaltou que a iniciativa nasceu para promover a convivência entre pessoas de diferentes crenças e origens. Segundo ele, o tema deste ano amplia essa mensagem ao lembrar que a humanidade sempre foi marcada pelos deslocamentos e pela troca de culturas. “Nosso lema é ‘Por uma cultura de paz’. Aqui não existe discriminação de raça ou preconceito. Todos caminham juntos em respeito ao próximo”, destacou.

A diretora do Núcleo Estratégico da Lavagem do Rosário, Lindsey Catarina de Sá, afirmou que a 10ª edição do evento reforça a mensagem de paz, promove a união entre diferentes religiões e homenageia os imigrantes. Segundo ela, “todos somos imigrantes”, e a celebração também busca ampliar a valorização da cultura popular e a necessidade de mais investimentos para fortalecer manifestações tradicionais no Centro Histórico de Cuiabá.

Cuiabá celebra os 10 anos da Lavagem do Rosário com mensagem de paz e acolhimento – Foto: Léo Alves

A diversidade de participantes também marcou a celebração. Representantes das religiões de matriz africana, igrejas cristãs, comunidade muçulmana, movimentos sociais e instituições culturais participaram da caminhada. O reverendo anglicano Hugo Armando Sanchez afirmou que “a unidade, o respeito e a convivência” precisam estar acima das diferenças. Já Mohamed Ali, representante da comunidade muçulmana, ressaltou que reunir diferentes culturas e religiões “é um ato de levar a paz, fazer o bem, praticar a solidariedade e respeitar todas as crenças”.

O secretário municipal de Cultura, Johnny Everson, afirmou que o apoio da Prefeitura reafirma o compromisso da gestão com a liberdade religiosa e a valorização das manifestações culturais. “A nossa gestão respeita todas as religiões, todas as matrizes religiosas. É nessa harmonia da fé que a gente constrói a paz”, declarou. Durante toda a programação, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana organizou bloqueios e o monitoramento do trânsito para garantir segurança aos participantes, enquanto uma equipe de saúde permaneceu de prontidão para atendimentos preventivos, sem registrar ocorrências.

Cuiabá celebra os 10 anos da Lavagem do Rosário com mensagem de paz e acolhimento – Foto: Léo Alves

Para estudiosos e representantes do movimento negro, a Lavagem do Rosário consolidou-se como uma importante manifestação pública de valorização da ancestralidade, da diversidade religiosa e da cultura popular. O coordenador do Instituto de Formação, Estudos e Pesquisa Socioeconômico Cultural de Mato Grosso (IFEP), Carlos Alberto Caetano avaliou que, ao completar dez anos, o evento “protagonizou a visibilidade das religiões de matriz africana em Cuiabá e em Mato Grosso”, contribuindo para romper a invisibilidade histórica dessas manifestações. Encerrando a programação, os participantes seguiram para uma confraternização tradicional, reforçando o espírito de união que marcou mais uma edição da celebração.

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