O Escritório de Captação de Recursos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), dedicado a construir pontes entre os projetos desenvolvidos pela instituição com diferentes atores da sociedade que podem se tornar parceiros de investimentos, mobilizou desde sua criação, em 2008, R$ 800 milhões para viabilização de cerca de 120projetos. O escritório nasceu de uma tese sobre mecanismos alternativos de sustentabilidade dentro de uma instituição de ciência e tecnologia pública, explicou nesta quarta-feira (19) àAgência Brasilo gerente-geral do Escritório de Captação de Recursos, Luis Donadio.
Com o tempo, essas parcerias foram ganhando diferentes contornos. No início, o escritório trabalhava mais com ações voltadas para a cultura científica e projetos sociais. Depois, a gente começou a trazer projetos de educação, projetos mais na área tecnológica, de desenvolvimento de novas tecnologias para servir ao Sistema Único de Saúde (SUS), explicaDonadio.
Na pandemia da covid-19, foi criado o programa Unidos contra a Covid, que mobilizou volume de recursos da ordem de R$ 550 milhões, que possibilitaram iniciativas como a construção da fábrica de produção de ingrediente farmacêutico ativo (IFA), elemento fundamental na formulação de um fármaco; implantação de um barco ambulatório e de cinco usinas de oxigênio na Região Amazônica; implantação de duas centrais de processamento de testes, sendo uma no Rio de Janeiro e outra na cidade de Euzébio (CE).
Vários projetos e programas que deixaram legados para o SUS e isso também, naturalmente, trouxe outro patamar para a relação da parceria público-privada e da percepção da sociedade em seu conceito mais amplo, envolvendo empresas, fundações, indivíduos, de que é possível apoiar projetos importantes que estão sendo realizados por instituições públicas, como a própria Fiocruz, universidades e outros institutos de ciência e tecnologia em projetos que, se apoiados, vão ter mais força.
Acesso
A atuação central da Fiocruz é no fortalecimento do SUS, explicou Luis Donadio. O gerente-geral afirmou que a Fiocruz é uma instituição de ciência e tecnologia em saúde, mas a nossa compreensão na promoção da saúde na Fundação é baseada nos determinantes sociais da saúde, seguindo conceito da Organização Mundial da Saúde (OMS) que entende a promoção da saúde como acesso a diversos fatores, entre os quais cultura, educação, comunicação. Por isso, a Fiocruz acaba tendo uma atuação bastante diversificada quando se fala dos programas que a instituição desenvolve.
A linha central é saúde, mas a Fiocruz desenvolve ações de cultura científica, como o Museu da Vida, que oferece espetáculos teatrais eoficinas audiovisuais. A gente entende que a promoção da cultura científica é acesso à saúde. Donadio lembrou que a Fiocruz é a instituição não universitária que mais forma quadros para a área da saúde. Muita gente se forma ali. A gente tem fortes programas educacionais.
O Escritório de Captação de Recursos está comemorando 47 parcerias celebradas em 2022 que estão viabilizando 13 projetos, em 2023. A unidade da Fiocruz está buscando construir parcerias para 15 novos projetos nas áreas cultural, social e de tecnologias para o SUS, para execução a partir de 2024.
Seminário
O Escritório de Captação de Recursos da Fiocruz promove no próximo dia 25 o seminário Parceria que Dá Certo:Público e Privado no Fortalecimento da Saúde, Ciência e Cultura, que será realizado no auditório do Centro de Documentação em História da Saúde da instituição, no Rio de Janeiro. O evento é gratuito e aberto para profissionais das áreas de governança ambiental social e corporativa (ESG), saúde, terceiro setor, universidades, institutos de pesquisa e demais interessados no tema. A inscrição pode ser feita pela plataforma Sympla até o dia 24. Quem seinscreverreceberána véspera do seminário, por e-mail, o linkpara a transmissão do evento.
Luis Donadio afirmou que o seminário vai celebrar com os parceiros que apoiaram projetos da Fiocruz no ano passado, porque entende a importância de fazer o reconhecimento e o agradecimento e mostrar aos apoiadores o estágio de cada um daqueles projetos. Outro objetivo é fomentar a cultura, junto às instituições de ciência e tecnologia principalmente, de construir mecanismos que conversem com os potenciais financiadores do mercado. A gente quer, com esse seminário, trazer discussões sobre fundo patrimonial,blended finance(arranjo financeiro que combina recursos públicos, privados e filantrópicos), programas de doação de indivíduos que poderiam estar sendo aplicados em universidades, institutos de pesquisa.
Participação social
Donadio avaliaque o Brasil não tem uma cultura tão forte de participação social apoiando projetos importantes para o país e que são desenvolvidos por instituições públicas. Ele explicaque 80% da ciência básica produzida no Brasil éfeita em universidades e institutos de ciência e tecnologia. E muito desse conhecimento não consegue sair da bancada nem completar uma fase pré-clinica, por coisas muito básicas como aquisição de insumos, manutenção de um pesquisador visitante. Ele não entende que isso é uma lógica substitutiva da responsabilidade do governo na manutenção e no investimento do setor público, mas constitui um instrumento complementar diante de um recurso orçamentário curto. Nesse caso, a saída é buscar essas alternativas de maneira organizada, planejada e profissional. Como a Fiocruz desenvolveu essa experiência ao longo dos últimos 15 anos, Luis Donadio entende que isso é algo para ser compartilhado com outras instituições que realizam trabalhos tãoimportantes quanto, mas que não têm isso estruturado na sua operação.
Olhando para a cultura de doação mais ampla, verifica-se que o Brasil está entre os 20 países dorankingde principais nações solidárias e de participação filantrópica, segundo o relatório anual World Giving Index2022, produzido pela organização Charities Aid Foundation (CAF), representada no Brasil pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis).
Donadio ressaltou que falta no Brasil uma cultura institucional nas instituições públicas e universitárias de pesquisa para trabalhar esse contexto de parcerias que, se forem estimuladas e chamadas, participam das iniciativas.
O seminário acontecerá presencialmente, das 8h30 às16h30, e também será transmitido pela internet, reunindo diversos especialistas e instituições em três painéis ao longo do dia, que debaterão a A economia criativa como força de desenvolvimento socioeconômico nas periferias; Fundos patrimoniais, funcionam no Brasil?; e O ESG no fortalecimento da Saúde e da Pesquisa no país.
Fonte: Agência Brasil

























