As perdas salariais dos profissionais da educação de Mato Grosso atingiram uma defasagem histórica. De acordo com um estudo realizado por Henrique Lopes, presidente licenciado do Sintep-MT (Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso), o salário inicial da categoria apresenta hoje uma redução de R$ 1.260,00 mensais em comparação ao Piso Nacional. Esses números comprovam que o arrocho salarial dos servidores da rede estadual já chega a 32,67%.
Os dados apresentados estabelecem um comparativo entre 2009, primeiro ano de vigência da Lei do Piso Nacional, e a evolução do salário inicial em Mato Grosso. Historicamente, os valores pagos pelo Estado sempre foram superiores ao piso nacional, cenário que se reverteu a partir da gestão do governador Mauro Mendes. Conforme aponta o levantamento, enquanto em 2019 o valor praticado em Mato Grosso era R$ 342,00 superior ao nacional, sete anos depois a realidade é oposta, acumulando uma desvalorização de R$ 1.260,00 na base da carreira do magistério.
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Para Henrique Lopes, responsável pelo estudo, essa situação nunca foi motivada pela falta de recursos. O dirigente argumenta que o Estado gerou economia durante a pandemia com o fechamento das escolas e a suspensão de serviços como transporte e alimentação escolar. Além disso, a arrecadação estadual registrou superávits que se mantêm até hoje.
Segundo Lopes, as receitas disponibilizadas em 2026 para a manutenção e o desenvolvimento do ensino ultrapassam os R$ 5 bilhões, montante considerado por ele plenamente suficiente para assegurar a recomposição salarial dos profissionais.

Ao analisar a defasagem salarial coletiva dos servidores do Executivo, o presidente licenciado destaca que, embora o governo estadual possa legalmente gastar até o limite máximo de 49% da Receita Corrente Líquida (RCL) com pessoal, atualmente investe pouco mais de 36%. “Portanto, não estamos diante de uma dificuldade financeira do Estado”, afirma.
Diante desse cenário, o dirigente conclui que o verdadeiro problema da atual gestão reside na definição de prioridades. “Falta vontade política. Dinheiro tem de sobra, inclusive para o Parque dos Milionários, mas não tem para recompor o salário dos servidores.”





















