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LÍVIA CATALÁ

O que a balança não mostra

Sucesso do tratamento da obesidade era medido pelo número na balança
LÍVIA CATALÁ

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Durante muito tempo, o sucesso do tratamento da obesidade era medido apenas pelo número na balança. Hoje, porém, uma nova pergunta orienta essa avaliação: a perda de peso ocorreu à custa de gordura ou de músculos?

Sucesso do tratamento da obesidade era medido pelo número na balança

Essa mudança de perspectiva tem ganhado destaque nos principais congressos internacionais de endocrinologia. Afinal, emagrecer não significa apenas perder quilos, mas reduzir a gordura corporal preservando aquilo que é fundamental para a saúde: a massa muscular.

O músculo é muito mais do que força. Ele participa do controle da glicose, ajuda a manter o metabolismo ativo, protege contra quedas e contribui para a independência física ao longo do envelhecimento. Por isso, preservar a musculatura tornou-se um dos principais objetivos do tratamento moderno da obesidade.

Quando a perda de massa muscular é acompanhada pela redução da força física, pode surgir a sarcopenia, condição associada a maior fragilidade, limitações funcionais e pior qualidade de vida. Um dos métodos mais simples para identificar esse risco é o dinamômetro, aparelho que mede a força de preensão das mãos e pode fornecer informações valiosas sobre a saúde muscular.

Outro aspecto cada vez mais valorizado no tratamento da obesidade é o chamado efeito sanfona. Ciclos repetidos de perda e recuperação de peso podem favorecer o retorno da gordura em maior proporção do que o da massa muscular, tornando o organismo metabolicamente mais vulnerável ao longo dos anos.

A boa notícia é que perder músculo não precisa ser o preço do emagrecimento. Embora alguma redução de massa magra possa ocorrer durante perdas de peso importantes, esse processo pode ser minimizado. A combinação de ingestão adequada de proteínas, exercícios de força e acompanhamento profissional ajuda a preservar a musculatura e a manter a funcionalidade do organismo.

A mensagem é simples, mas cada vez mais atual: no tratamento da obesidade, não basta perder peso. O verdadeiro desafio é perder gordura sem perder força.

Lívia Catalá é médica endocrinologista

*Os artigos de opinião são de responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do Isso É Notícia*

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