O processo de “escolha” do modelo cívico-militar nas escolas públicas do estado de Mato Grosso evidenciou a importância do protagonismo estudantil. A recente consulta realizada na rede estadual foi barrada na Escola Estadual Jayme Veríssimo de Campos Júnior, de Alta Floresta (803 km de Cuiabá-MT). Com 64% dos votos contrários à mudança, contra 36% favoráveis, pais, responsáveis e estudantes decidiram manter o atual projeto pedagógico da unidade. A mobilização foi conduzida pelo Grêmio Estudantil “Paulo Freire”.
A experiência da unidade é apontada como referência pelo secretário adjunto de Políticas Educacionais do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) e dirigente na subsede de Alta Floresta, professor Dirceu Blanski. Segundo ele, o caso reforça a importância da gestão democrática frente à proposta de disciplina “de caserna” do governo estadual.
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“A comunidade escolar precisa ser ouvida e respeitada, exercendo o processo de gestão democrática, que define qual é o melhor projeto pedagógico para cada realidade. As vozes de estudantes, famílias e profissionais devem ser consideradas”, afirma Blanski, que também é conselheiro estadual de Educação.
O Grêmio Estudantil denominado “Paulo Freire” teve papel fundamental na vitória. Conforme relatos da gestão da escola, o processo foi conduzido de forma democrática, esclarecendo os pontos sobre o novo modelo e o atual. Contudo, o grêmio foi o protagonista para a vitória.
Segundo relato ao dirigente do Sintep-MT, a escola é reconhecida por registrar indicadores educacionais consolidados, com destaque em avaliações como o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), além de baixos índices de evasão e repetência.
A política pedagógica é marcada pelo protagonismo estudantil, participação em atividades pedagógicas e extracurriculares, como projetos temáticos, práticas esportivas e atividades culturais, incluindo teatro.
“Para essa votação, os estudantes participaram do estudo sobre mudar ou não para o modelo cívico-militar. Os estudantes buscaram informações levantadas em diálogo com alunos de escolas cívico-militares, incluindo aspectos relacionados a normas de conduta e organização. Só depois dos encaminhamentos deliberados, foram apresentados e defendidos para a comunidade escolar”, disse Dirceu Blanski.
A unidade, que é Escola Plena — período integral — registra cerca de 290 estudantes, com oferta do Ensino Fundamental a partir do 6º ano até o Ensino Médio. Apesar de ser uma unidade de destaque no município, a Escola Jayme Veríssimo de Campos Júnior registra impactos do retrocesso do governo estadual nos investimentos na unidade. A escola perdeu agentes de pátio e a equipe psicossocial. Uma existia para organizar a dinâmica nos intervalos enquanto a outra prestava atendimento orientativo e ajuda emocional aos estudantes.





















