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Se fosse Dilma ou Lula, Gilmar também acharia que o caso Geddel está sendo ‘magnificado’?

Se fosse Dilma ou Lula, Gilmar também acharia que o caso Geddel está sendo ‘magnificado’?

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Cada vez mais fica claro o alinhamento político-ideológico (e partidário) do ministro Gilmar Mendes, o mesmo que acusou o próprio Supremo Tribunal Federal (STF) de se transformar em uma “Corte bolivariana” ao votar em um processo que atendida interesses da ex-presidente Dilma.

O “lado” de Gilmar ficou mais claro ainda no caso da gravação feita pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero que já fez “tombar” o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Viera Lima (DEM) e que poderá “derrubar” até o presidente Michel Temer (PMDB).

Estamos falando da pressão feita por Geddel e Temer para que Calero interviesse junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Cultural Nacional (Iphan) para liberar a obra de um edifício em Salvador onde Geddel possui um apartamento.

Há a suspeita de que o empreendimento pertença a um grupo de laranjas. Vários parentes do ex-ministro ocupam cargos em empresas ligadas ao empreendimento.

O caso já está na Polícia Federal.

Mas, tudo isso não foi suficiente para convencer o ministro Gilmar Mendes, um dos capitães do impeachment da presidente Dilma e aliados de Temer no STF, sobre sua gravidade.

Gilmar seguiu o discurso do derrotado Aécio Neves e resolveu “minimizar” o episódio.

Mais a fundo, Gilmar afirmou, em entrevista à Revista Exame que o caso está sendo “magnificado” pela mídia.

Oras, oras, oras.

Reparem que bastou a posse de Michel para Gimar deixar o seu perfil ácido de lado, dando espaço a um novo “Gilmar Paz e Amor”.

A descarada tentativa de Gilmar em defender Temer fica ainda mais clara quando ele resolve atacar o ex-ministro da Cultura por ter feito a gravação.

“É uma coisa inusitada, absolutamente despropositada, que um ministro, ainda mais para um profissional do Itamaraty, tenha esse tipo de conduta. Realmente suscita preocupação”, disse Gilmar à Exame.

O ministro preferiu atacar o araponga ao cobrar investigação rigorosa sobre o mérito da gravação: a pressão do presidente da República e de um ministro de Governo a outro para fins pessoais. 

Imaginem se, neste caso, gravados fossem os ex-presidentes Lula e Dilma.

Se fossem eles os acusados de pressionarem um ministro para atender interesse de outro ministro. Do José Dirceu, por exemplo. Fuzilamento sumário. Sem defesa.

Mas, no caso real, “há um Temer no caminho”.

Convenhamos que, se fosse no governo petista, veríamos, certamente, as ácidas declarações do ministro Gilmar, que já chegou a suspender o julgamento de um processo durante as eleições de 2010 a partir de um telefonema de José Serra durante a sessão, segundo a Folha de S. Paulo.

Além de já tê-lo citado, em voto, transcrevendo trechos de um artigo de opinião do político publicado pela Folha, conforme noticiou o site Viomundo.

Sem contar nos jantares com Aécio Neves. Nos encontros com o então candidato João Dória, etc, etc…

A “magnificada de Gilmar”em defesa de Temer contrastada com o seu permanente perfil “juiz-opositor do PT” e sua proximidade com políticos do PSDB, é mais uma das tantas provas de que o impeachment de Dilma foi, na verdade, um golpe parlamentar que contou com a ajuda de muita gente de fora dos muros do Congresso Nacional.