Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.
CALOTE LEGALIZADO

Servidores de MT deixam de pagar R$ 100 milhões em empréstimos

Apesar de suspensão, valores devem ser quitados a frente
Palácio Paiaguás - Foto: Michel Alvim Secom MT

Compartilhe essa Notícia

Desde que o governo do Estado determinou a suspensão das operações dos consignados na folha de pagamento dos servidores públicos do Estado, cerca de R$ 100 milhões deixaram de serem descontados dos salários do funcionalismo público mato-grossense. A informação consta no levantamento feito pelo Sindicato dos Profissionais da Área Instrumental do Governo (Sinpaig), que iniciou as denúncias de irregularidades, como cobrança indevida e fraudes em contratos de consignados dos servidores do Estado.

O montante ocorre após o governo do Estado determinar a suspensão dos descontos e abertura de processo administrativos contra as empresas. Ao todo, 14 bancos e instituições financeiras estão com descontos suspensos de um total de 39 instituições que foram credenciadas para operar no estado.

Destas 39 instituições, 28 trabalham somente com cartão benefício e com cartão de crédito consignado. Só nos últimos 5 anos essas instituições suspensas receberam, por meio de empréstimos, dos salários dos servidores R$ 715 milhões em descontos por parcelas.

NOTÍCIAS QUENTES – Acesse o grupo do Isso É Notícia no WhatsApp e tenha notícias em tempo real (CLIQUE AQUI)

As primeiras denúncias ocorreram ainda em 2024 na Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag). No entanto, A Gazeta já revelou anteriormente que um documento da própria Seplag aponta que a principal pivô do esquema, a Capital Consig, havia sido notificada sobre ‘eventuais discrepâncias’ em novembro de 2023.

A primeira suspensão das consignações de cartão de crédito consignado e cartão benefício ocorreu somente em maio de 2025, quando uma ação civil pública de autoria dos sindicatos questionou irregularidades. Na decisão, a suspensão valeria apenas para o grupo econômico da Capital Consig pelo período de 90 dias.

Em dezembro de 2025, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso determinou, por decreto, a suspensão por 120 dias de todas as consignações, incluindo o consignado tradicional. As duas modalidades de operação foram usadas pelas instituições, segundo a denúncia do Sinpaig, para burlar a margem de endividamento dos servidores.

Na prática, os ‘cartões’ oferecidos pelas empresas nunca chegavam e, com parcelas de descontos iguais, ficava configurado que se tratava de empréstimo consignado. A suspensão determinada pela ALMT caiu após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que acatou pedido da Confederação Nacional do Sistema Financeiro (Consifi) que classificou o decreto como inconstitucional por abranger até operações sem nenhuma suspeita.

No dia 14 de janeiro deste ano, o governo Mauro Mendes (União) determinou a suspensão de 11 instituições, entre elas o Banco Master, que não chegou a ser denunciado formalmente pelos sindicatos, mas que também opera consignados no estado. No dia 30 de janeiro, mais três instituições foram suspensas.

publicidade

publicidade