O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) e o ex-prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (PSB), foram sócios da Fazenda Ajuricaba, em Nossa Senhora do Livramento, na baixada cuiabana, onde exploraram a extração de ouro.
Foi nesse fazenda que ocorreu a tentativa de assassinato dos também sócios da propriedade, Valdinei Mauro de Souza e Wanderley Fachetti Torres, este último dono da Trimec Construções, que detém contratos milionários com o governo do Estado. Os dois foram alvejados quando estavam na fazenda, em 2012, e só salvaram graças à caminhonete blindada em que estavam.
Valdinei e Wanderley chegaram a acusar pelo crime o também empresário da mineração, Filadelfo dos Reis Dias. No entanto, o Tribunal de Justiça entendeu que não havia provas contra o empresário concorrente e que seu envolvimento no caso pode ter sido “armado”.
A revelação da sociedade empresarial de Silval e Mauro consta na delação premiada firmada pelo ex-governador e homologada no início do mês pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com revelações de Silval, além de Mauro, Valdinei e Vanderlei, também era sócio do empreendimento o ex-secretário-chefe da Casa Civil, José Lacerda.
O ex-governador revelou que Mauro e Valdinei eram donos de 50% do garimpo, enquanto ele, Silval, José Lacerda e Wanderley Torres, tinham a outra metade.
Compra fraudulenta
Silval revelou que a compra da fazenda foi feita depois que ele procurou o dono da área, que também era proprietário da Construtora Enza, que detinha contratos do Programa MT Integrado, também alvo de fraudes conforme deletado.
O ex-governador revelou que procurou a empresa para que ela fizesse a venda da área para o grupo empresarial em detrimento de outros interessados na compra. Silval ofereceu ajuda nos contratos da Enza com o governo.
Depois da área comprada com licença de exploração do solo, o grupo, então, adquiriu equipamentos e passou a explorar a extração de ouro no local. Ele ainda contou que, tempos dois, 50% do negócio foi vendido para a empresa Engemix, de São Paulo.
Sociedade rompida
Na divisão da sociedade com o Mauro Mendes, Silval e Wanderley acabaram vendendo suas partes para Filadelfo dos Reis Dias. Na negociação foram trocados 1,2 mil hectares da Fazenda Ajuricaba com potencial, mas, sem licença, por outra área já pronta para exploração.























