O corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques, determinou a instauração de um pedido de providências para apurar o vazamento de uma reclamação movida pela juíza Ana Cristina Silva Mendes, da 4ª Vara Cível de Cuiabá, que quer ocupar a vaga de um desembargador afastado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) por suspeita de corrupção.
A instauração do procedimento foi determinada, no dia 13 de março passado, por Campbell após a veiculação de notícias jornalísticas que retrataram o procedimento sigiloso no qual Ana Cristina questiona a convocação do juiz Antônio Veloso Peleja Júnior para ocupar interinamente o cargo do desembargador Dirceu dos Santos, afastado do cargo por decisão do próprio CNJ.
Campbell determinou a notificação do presidente do TJMT e da própria magistrada para explicar o vazamento à Revista Veja e ao portal Gazeta Digital.
O presidente do TJMT prestou informações ao Conselho e defendeu a legalidade da convocação temporária de Peleja para a vaga de Dirceu.
“O Juiz de Direito Antônio Veloso Peleja Júnior não foi promovido — foi convocado temporariamente para situação excepcional, e continuará na mesma posição funcional que ocupava antes, sem qualquer vantagem definitiva na carreira. A Magistrada, por seu turno, permanece com seu direito íntegro à observância da ordem da lista para todas as substituições decorrentes de afastamentos ordinários ao longo do ano de 2026″, afirmou o desembargador José Zuquim Nogueira.
Juíza nega ter vazado reclamação para a imprensa: “perplexidade”
A juíza Ana Cristina Silva Mendes prestou informações ao Conselho e afirmou não ser responsável pelo vazamento que tornou o questionamento à nomeação temporária do juiz Peleja público.
“Deve-se destacar que o procedimento objeto das notícias foi registrado no sistema eletrônico com a marcação expressa e inequívoca de sigilo, por escolha da Reclamante. A opção pela tramitação sigilosa não foi um ato acidental, mas uma decisão deliberada e fundamentada na necessidade de preservar a imagem do Poder Judiciário mato-grossense e de todos os Magistrados envolvidos na controvérsia”, argumentou a juíza ao CNJ.
A magistrada garante que não passou o documento para nenhum véiculo de comunicação divulgar.
“Em sede de defesa e com o intuito de rechaçar qualquer insinuação de comportamento inadequado, a Magistrada afirma, de forma categórica e irrefutável, que jamais se manifestou sobre o encaminhamento do referido requerimento fora do seu círculo familiar mais íntimo. A decisão de provocar o Conselho Nacional de Justiça foi objeto de profunda reflexão solitária e partilhada apenas com seus familiares mais próximos, justamente em virtude da gravidade do passo institucional que seria dado. A Magistrada não manteve contato com jornalistas, não repassou cópias de suas petições a terceiros, não autorizou que qualquer pessoa o fizesse em seu nome e não alimentou veículos de comunicação com informações privilegiadas. A veiculação das reportagens causou imensa perplexidade e constrangimento à própria Magistrada, que se viu repentinamente no centro de uma exposição pública não desejada e não provocada por ela”, garante Ana Cristina.
Após as informações de Ana Cristina e do presidente do TJ, o pedido de providências está concluso para decisão do ministro Campbell.




















