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DEGRADAÇÃO AMBIENTAL

Pesquisa encontra 14 contaminantes nas águas do Pantanal

Coordenador do estudo, o professor Wilkinson Lopes Lázaro, destaca que o Pantanal é um dos sistemas mais singulares do mundo, justamente por causa do pulso de inundação que conecta rios, lagoas, solos e organismos ao longo do ano
Pantanal mato-grossense - Foto: Mayke Toscano/ Secom-MT

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Medicamentos descartados de forma inadequada, pesticidas e cafeína estão entre os 14 contaminantes emergentes detectados nos rios do Pantanal, o que traz um alerta sobre o risco a que o bioma está exposto. Estes contaminantes podem alterar a capacidade de regeneração e provocar uma degradação gradual. O estudo é conduzido por cientistas de dois programas de pós-graduação da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), de Ciências Ambientais, em Cáceres, e de Recursos Hídricos, em Cuiabá, que se uniram a parceiros da Universidade de Córdoba (Colômbia).

Coordenador do estudo, o professor Wilkinson Lopes Lázaro, doutor em Ecologia e pesquisador do Centro de Estudos em Limnologia, Biodiversidade e Etnobiologia do Pantanal, da Unemat, destaca que o Pantanal é um dos sistemas mais singulares do mundo, justamente por causa do pulso de inundação que conecta rios, lagoas, solos e organismos ao longo do ano.

Segundo ele, isso faz com que qualquer contaminante introduzido no sistema tenha um potencial muito maior de dispersão e interação com a biota. A gente escolheu o Pantanal exatamente por essa vulnerabilidade associada à alta biodiversidade. É um sistema extremamente rico, mas, ao mesmo tempo, sensível.

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Ele enfatiza que o Pantanal é resiliente, mas não é infinito. Quando há entrada contínua de contaminantes, somada a outros estresses, como queimadas, mudanças climáticas e alterações hidrológicas, o sistema pode começar a perder sua capacidade de se regenerar. O risco não é um colapso imediato, mas uma degradação gradual da qualidade ambiental e da biodiversidade.

Os chamados Contaminantes Emergentes (CEs) não são completamente removidos por tratamentos convencionais de esgoto e, por isso, têm sido detectados em rios, lagos, solos e até em organismos aquáticos. Mesmo em concentrações baixas, podem causar danos à fauna aquática e trazem riscos à saúde humana, agindo, muitas vezes, como desreguladores endócrinos. Nós detectamos 14 contaminantes emergentes ao longo da área de estudo, incluindo hormônios, anti-inflamatórios, cafeína, bisfenol A (BPA) e diferentes pesticidas. O que mais chamou atenção foi o padrão de distribuição.

Compostos como cafeína, fármacos e BPA apareceram com maior intensidade próximo às áreas urbanas, enquanto herbicidas e pesticidas estavam presentes praticamente em todos os pontos. Ou seja, não estamos falando de uma fonte única de contaminação, mas de um sistema sob pressão combinada, urbana e agrícola ao mesmo tempo. Isso é um sinal importante, ponderou Wilkinson.

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