O desembargador Orlando Perri afirmou nesta sexta-feira (08.05) que famílias têm “descartado” idosos em unidades de saúde por falta de vagas em abrigos públicos de Cuiabá. A declaração foi dada durante entrevista após a inauguração do novo Centro Socioeducativo Masculino de Cuiabá, no Complexo Pomeri.
Segundo Perri, idosos estão sendo deixados em UPAs e hospitais públicos mesmo sem necessidade de internação, porque familiares não querem mais assumir os cuidados.
“Não existe vaga. As famílias estão descartando os seus idosos, os seus pais, os seus avós e colocando em UPAs e depois em hospitais públicos porque não querem mais cuidar deles”, declarou.
O magistrado revelou que existe atualmente uma “fila enorme” de espera para acolhimento de idosos na Capital e criticou a ausência de abrigo público municipal.
Conforme ele, a Prefeitura de Cuiabá já foi condenada judicialmente a construir uma unidade pública de acolhimento para idosos, mas a decisão ainda não foi cumprida.
“A Prefeitura Municipal de Cuiabá já foi condenada numa ação civil pública, salvo engano de 2019. Ela está obrigada a construir uma unidade para abrigamento de idosos e até hoje não cumpriu essa obrigação”, afirmou.
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Perri destacou ainda que Cuiabá possui atualmente apenas a Fundação Abrigo Bom Jesus como referência no acolhimento de idosos, cenário que, segundo ele, é insuficiente diante da demanda crescente.
“Precisamos ampliar esse número de vagas urgentemente”, reforçou.
Cadastro de cuidadores
Durante a entrevista, o desembargador também comentou a proposta da vereadora Maysa Leão (Republicanos), que defende a criação de um cadastro de cuidadores de idosos remunerados pelo poder público.
Na avaliação de Perri, a iniciativa pode ajudar famílias que não conseguem acompanhar os idosos durante o dia por conta do trabalho.
“Muitas vezes é o filho que está cuidando do pai, precisa trabalhar, sai de madrugada e volta à noite. Essas pessoas ficam abandonadas dentro de casa”, disse.
Segundo ele, cuidadores poderiam oferecer assistência básica, atenção e acompanhamento diário aos idosos em situação de vulnerabilidade.
“Seria uma boa alternativa para que essas pessoas não ficassem abandonadas”, completou.





















