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Justiça intima filhos de desembargador que eram “fantasmas”

MP afirma que valor a ser ressarcido aos cofres é de R$ 481 mil
O ex-desembargador José Jurandir de Lima (detalhe)

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O juiz da Vara de Ações Coletivas do Tribunal de Justiça (TJMT), Bruno D’Oliveira Marques, intimou os filhos do ex-desembargador José Jurandir de Lima (falecido em 2016) para uma audiência no dia 16 de julho de 2026 de um processo que determina a devolução de recursos aos cofres públicos. O magistrado “empregou” os próprios filhos no Poder Judiciário de Mato Grosso, que sequer iam trabalhar – ou seja, eram funcionários fantasmas.

Em decisão da última quinta-feira (28) o juiz analisou a “proposta” de Tânia Regina Borges Barbosa de Lima, José Jurandir de Lima Júnior e Tássia Fabiana Barbosa de Lima, a “filha fantasma”. Eles pretendem devolver R$ 180,8 mil. O Ministério Público do Estado (MPMT) contesta o valor, alegando que o cálculo correto atinge R$ 481,4 mil.

“Com a manifestação ministerial, foi juntado o relatório técnico elaborado pelo Centro de Apoio Operacional do Ministério Público, no qual se aponta saldo atualizado, pelo INPC/IBGE, no valor de R$ 481.460,31, já considerado o abatimento do montante informado como pago”, defende o MPMT.

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Em sua decisão o juiz Bruno D’Oliveira Marques explicou que como não há acordo entre as partes o processo deve seguir seu curso normal. A audiência, do dia 16 de julho de 2026, será realizada às 14h30 de forma presencial, no Fórum de Cuiabá, com possibilidade de participação pela internet.

O desembargador José Jurandir de Lima foi aposentado compulsoriamente como consequência de seus atos de nepotismo e de improbidade administrativa no ano de 2013 pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Tássia Fabiana Barbosa de Lima foi “contratada” como digitadora no Poder Judiciário de Mato Grosso no ano de 2003 enquanto cursava comunicação social na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) – instituição de ensino superior privada de elite de São Paulo. Exonerada em 2006, ela nunca apareceu para trabalhar.

Já Bráulio Estefânio Barbosa de Lima, outro “filho fantasma”, foi “contratado” como segurança do TJMT em 2001, sendo posteriormente “alçado” a oficial de gabinete, enquanto cursava medicina em período integral numa faculdade particular da Capital, também exonerado em 2006. Ele faleceu num acidente de carro no ano seguinte (2007).

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