A trajetória pessoal do maior jogador de futebol de todos os tempos carrega um enredo que mistura drama familiar, disputas nos tribunais e uma reconciliação que levou mais de vinte anos para acontecer. O elo mais complexo da vida de Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, atende pelo nome de Sandra Regina Arantes do Nascimento Felinto.
Tudo começou na década de 1960, no litoral paulista. O craque do Santos mantinha um envolvimento rápido com a trabalhadora doméstica Anísia Machado. Desse encontro, nasceu uma menina no Guarujá. Sem conseguir estabelecer uma aproximação amigável ou um reconhecimento espontâneo ao longo da juventude, a filha decidiu que era hora de buscar amparo legal para ter sua identidade validada.
O embate que parou o país nos anos 90
A busca pelo sobrenome famoso não foi simples e movimentou os bastidores do Poder Judiciário por meia década. O atleta recorreu a diversas ferramentas processuais para contestar o pedido. A reviravolta definitiva aconteceu no ano de 1996, amparada pela evolução da medicina legal. Um teste genético deu o veredito irrefutável de que ela era, sim, herdeira legítima do ex-jogador. Diante do laudo científico, o Superior Tribunal de Justiça assegurou o registro oficial.
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A vitória jurídica, no entanto, não amoleceu o coração do pai. O distanciamento emocional foi verbalizado pelo próprio ex-atleta, que pontuou a ausência de convivência como barreira para qualquer sentimento. Essa barreira afetiva fez com que a ativista transformasse seu sofrimento em literatura, lançando a obra intitulada “A Filha que o Rei Não Quis”.
Mais tarde, o reconhecimento popular a levou para a Câmara Municipal de Santos. Eleita pelo PSC, a parlamentar usou a cadeira no legislativo para evitar que outras famílias passassem pelo mesmo que ela enfrentou. De sua autoria, nasceu a iniciativa de oferecer exames de paternidade gratuitos na rede de saúde do município.
Filha de Pelé morreu após enfrentar câncer
A caminhada da vereadora foi interrompida de forma trágica devido a problemas de saúde. Uma neoplasia mamária severa evoluiu rapidamente. O agravamento do quadro clínico levou à falência de múltiplos órgãos, ocasionando o falecimento da filha de Pelé aos 42 anos, em 17 de outubro de 2006.
A ausência do pai nos momentos de agonia hospitalar e nas cerimônias fúnebres gerou forte comoção pública na época. A homenagem enviada por meio de coroas de flores corporativas acabou rejeitada pelos parentes da falecida. Ela deixou o viúvo, o líder religioso Ozeas Felinto, e dois herdeiros, Octávio e Gabriel.
Perdão dos netos
A peça que faltava nesse quebra-cabeça de mágoas só encontrou seu lugar no apagar das luzes da vida do próprio camisa 10. Internado para tratar um tumor maligno, o veterano do esporte recebeu a visita dos netos que residiam no exterior.
O encontro no leito hospitalar simbolizou a quebra de um ciclo de sofrimento. Os rapazes decidiram deixar o passado para trás e concederam o perdão ao avô, selando a paz que a progenitora deles tanto buscou enquanto esteve viva. Vale lembrar que Pelé morreu em 29 de dezembro de 2022.




















