A analista política Cristiany Fonseca vê um cenário de indefinição na corrida ao Palácio Paiaguás e avalia que Mato Grosso tem grandes chances de ter, pela primeira vez, um segundo turno nas eleições de outubro deste ano. Em entrevista ao RDnews, ela analisou o desempenho dos principais nomes da disputa ao governo e apontou quais são os principais desafios enfrentados pelo governador Otaviano Pivetta (Republicanos) para ganhar notoriedade junto ao eleitorado.
Questionada sobre o “fator Jayme Campos” — que enfrenta resistências internas no União Brasil para viabilizar sua candidatura ao Palácio Paiaguás —, a analista entende que a permanência ou não do senador na disputa pode ser decisiva para o rumo da eleição.
NOTÍCIAS QUENTES – Acesse o grupo do Isso É Notícia no WhatsApp e tenha notícias em tempo real (CLIQUE AQUI)
“Jayme Campos não entra na corrida apenas como mais um nome colocado à disposição do eleitorado. Os percentuais que vem apresentando mostram que se trata de uma candidatura efetivamente competitiva, com capital político próprio, eleitorado consolidado e potencial para disputar uma vaga em um eventual segundo turno”, afirma Cristiany.
Para ela, as articulações para desestimular Jayme a concorrer ao governo decorrem justamente do impacto que sua candidatura provoca sobre um segmento estratégico do eleitorado. Sem ele na disputa, as chances de crescimento de Pivetta aumentam entre eleitores da centro-direita e da direita mato-grossense.
Pivetta tem em Mauro Mendes seu principal ativo político. Ex-governador e presidente do União Brasil em Mato Grosso, Mauro resiste ao projeto de Jayme e trabalha pela consolidação da candidatura do seu aliado.
Sobre o fato de Pivetta ainda não ter assumido a dianteira da disputa, apesar da boa avaliação da gestão estadual, Cristiany avalia que seu maior desafio é tornar-se conhecido e, principalmente, reconhecido pelos eleitores como corresponsável pelos resultados da gestão que foi comandada por Mauro Mendes até março deste ano, quando ele renunciou ao cargo para disputar uma vaga no Senado.
A analista lembra que, diferentemente de Jayme — ex-governador, ex-prefeito e senador — e de Wellington Fagundes (PL), que acumula décadas de vida pública, com seis mandatos como deputado federal e atualmente em sua segunda incursão no Senado, Pivetta é menos conhecido pelo eleitorado estadual. Isso porque sua principal experiência executiva foi como prefeito de Lucas do Rio Verde e, durante anos, ocupou a posição de vice-governador, sem o protagonismo político do chefe do Executivo.
Por isso, Cristiany ressalta que ele precisa ter seu valor legitimitado pelas ações implementadas ao longo dos quase oito anos de uma gestão que mantém elevados índices de aprovação.
“O capital político do Mauro Mendes ainda não foi transferido para ele, até porque a gente sabe que isso não é algo natural. Quando eu falo de transferência de votos, para mim, eu vejo só duas pessoas que fazem isso hoje: Bolsonaro e Lula. Eu vejo muita dificuldade em outros candidatos”, pondera.
Apesar disso, ela avalia que Mauro terá peso importante na campanha, uma vez que o eleitor potencial de Pivetta é justamente aquele que aprova a atual gestão e deseja a continuidade administrativa.
“A máquina pública, por si só, não transfere voto. Ela cria capital, ela faz a pessoa ficar conhecida. Mas, principalmente porque essa máquina foi muito utilizada com robustez pelo Mauro Mendes, ele [Pivetta] ainda não conseguiu ser o protagonista dessa estrutura”, afirma.
Sobre Wellington Fagundes, atual líder das pesquisas de intenção de voto, a analista destaca que seu principal trunfo é o recall político consolidado. Somam-se a isso a força do PL em Mato Grosso e a identificação com o eleitorado conservador.
“Em um estado que demonstrou expressivo apoio ao bolsonarismo nas últimas eleições e onde o PL conquistou prefeituras estratégicas, Wellington busca se apresentar como um dos principais representantes desse campo político”, observa.
Por outro lado, Cristiany entende que o principal desafio do senador é construir unidade em torno de sua candidatura dentro do próprio campo conservador, superando questionamentos sobre episódios de aproximação com governos petistas no passado.
Eleição aberta
Por fim, a analista destaca que o cenário segue indefinido e que o desempenho da médica Natasha Slhessarenko (PSD), nome que surge como terceira via na disputa apoiado por grupo de partidos de centro-esquerda, também merece atenção.
Cristiany lembra que o campo identificado com o presidente Lula possui um contingente eleitoral relevante em Mato Grosso e que, caso Natasha consiga consolidar esse eleitorado, sua candidatura tende a ganhar força ao longo da campanha, contribuindo inclusive para a possibilidade de um segundo turno.
“Fazendo com que ela seja uma candidata também competitiva. Não acredito que como Pivetta ou Wellington, mas tendo um percentual de votos maior que pode levar a eleição para o segundo turno”, afirma.
A analista pondera, ainda, que o surgimento de outras candidaturas menos conhecidas tende a fragmentar parte do eleitorado e contribuir para manter a disputa aberta até o período eleitoral.





















