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FRONTEIRA DO TRÁFICO

A rota aérea da cocaína entre Bolívia e MT desafia a Segurança

Operação que buscava aeronaves suspeitas reforça o uso de pistas clandestinas na fronteira Oeste como corredor para o tráfico
Avião com drogas apreendido na fronteira de Mato Grosso com a Bolívia - Foto: Divulgação

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A operação policial que terminou com a prisão de um vereador em Colniza (1.065 km a Noroeste de Cuiabá), durante buscas por aeronaves suspeitas vindas da Bolívia, voltou a expor um dos maiores desafios da Segurança Pública em Mato Grosso.

Trata-se da utilização de pistas clandestinas na região de fronteira, para o transporte de cocaína produzida em países andinos.

Segundo as informações reunidas pelas forças de segurança, a operação foi desencadeada após denúncias de que duas aeronaves teriam pousado em uma propriedade rural para descarregar drogas transportadas da Bolívia.

Durante a ação, testemunhas relataram que uma caminhonete retirou diversos fardos das aeronaves logo após o pouso, e um vídeo registrando uma das operações foi apreendido pelos policiais.

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Embora a apreensão da droga não tenha sido confirmada até o momento, o episódio evidencia um padrão conhecido pelas forças de segurança: o uso de aeronaves de pequeno porte para cruzar a fronteira e realizar pousos rápidos em áreas rurais de difícil fiscalização.

A extensa faixa de fronteira entre Mato Grosso e a Bolívia, marcada por grandes propriedades rurais, baixa densidade populacional e vastas áreas de mata, favorece esse tipo de operação clandestina.

PISTAS IMPROVISADAS – As investigações indicam que as organizações criminosas utilizam pistas não homologadas, abertas em fazendas ou áreas isoladas, onde os aviões permanecem em solo por poucos minutos.

Nesse intervalo, a carga é rapidamente transferida para caminhonetes ou caminhões, que seguem por rodovias estaduais e federais em direção aos grandes centros consumidores ou aos portos utilizados para exportação da droga.

No caso de Colniza, os policiais chegaram ao local justamente durante uma operação para localizar duas aeronaves suspeitas de participarem desse esquema.

Durante a abordagem, um homem informou ter presenciado os pousos e entregou imagens gravadas em seu telefone celular, posteriormente apreendido pela polícia.

FRONTEIRA ESTRATÉGICA – Mato Grosso ocupa posição estratégica na logística do tráfico internacional por compartilhar extensa fronteira seca com a Bolívia, um dos maiores produtores mundiais de cocaína.

As quadrilhas utilizam rotas terrestres e aéreas para introduzir a droga no território brasileiro, aproveitando a dificuldade de monitoramento permanente de milhares de quilômetros de áreas rurais e de mata.

O boletim policial, porém, não informa qual organização criminosa estaria por trás das aeronaves investigadas nem confirma que a carga efetivamente era cocaína, limitando-se a registrar que a operação buscava localizar aviões suspeitos de descarregar drogas em uma pista clandestina.

INTEGRAÇÃO – A operação em Colniza reuniu diferentes forças policiais em uma ação voltada ao monitoramento da região de fronteira, considerada uma das principais portas de entrada do tráfico internacional no Estado.

Além da prisão do vereador por porte ilegal de arma de fogo durante a abordagem, a investigação prossegue para identificar os responsáveis pelas aeronaves, pela carga transportada e pela utilização da pista clandestina.

O caso demonstra que, além do combate ao tráfico nas cidades, a repressão às rotas de abastecimento continua sendo uma das principais frentes de atuação das forças de segurança na região oeste de Mato Grosso.

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