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DECISÃO

Justiça aceita denúncia contra advogado preso por atropelar e matar pedestre em MT

Paulo Roberto Gomes dos Santos vai responder pelos crimes de homicídio qualificado com dolo eventual, além de outras infrações.
Advogado Paulo Roberto Gomes dos Santos, de 68 anos — Foto: Reprodução

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A Justiça de Mato Grosso recebeu a denúncia do Ministério Público e tornou réu o advogado Paulo Roberto Gomes dos Santos pela morte da pedestre Ilmes Dalmes Mendes da Conceição, atropelada em janeiro deste ano, em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá.

A decisão foi assinada nesta quinta-feira (18) pelo juiz Juliano Hermont Hermes da Silva, da 1ª Vara Criminal de Várzea Grande. O advogado vai responder pelos crimes de homicídio qualificado com dolo eventual, quando o autor assume o risco de provocar a morte, além de outras infrações previstas no Código de Trânsito Brasileiro.

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Em nota a defesa afirmou que Paulo irá provar que não houve intenção de matar, e ainda classificou o ocorrido como uma “lamentável fatalidade” .

Com o recebimento da denúncia, Paulo Roberto passa à condição de réu no processo. Ele terá prazo de 10 dias para apresentar resposta à acusação, indicar provas, juntar documentos e arrolar testemunhas.

Durante as investigações, o advogado negou ter atropelado a vítima e afirmou que a idosa teria batido contra o veículo. O entendimento da Polícia Civil, no entanto, é diferente. Segundo o delegado Christian Cabral, da Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran), as imagens analisadas durante o inquérito indicam que o motorista teria condições de evitar o atropelamento.

“Ela bateu no meu carro pelo lado do motorista. Eu tava vindo sentido Cuiabá. Estava desde cedo com dor de cabeça, e me deu vontade vomitar. Abri a janela do carro e vomitei, e ai passou um vulto”, declarou o advogado durante o depoimento.

Segundo a Guarda Municipal de Várzea Grande, o acidente ocorreu quando a vítima tentava atravessar a rua e foi atingida pela caminhonete de Paulo e arremessada para o outro lado da avenida. Em seguida, foi atropelada por um segundo veículo.

De acordo com a Polícia Civil, após o atropelamento, o advogado deixou o local sem prestar socorro, mas foi localizado e preso pouco tempo depois nas proximidades de um shopping do município.

Quem é o advogado

Conforme a polícia, o advogado matou a tiros o delegado Eduardo da Rocha Coelho, atingido com um disparo na nuca. Após o crime, ele fugiu do estado e passou a viver em Mato Grosso usando o nome falso Francisco de Ângelis Vaccani Lima. Ele foi condenado, em 2006, a 13 anos de prisão.

Em outro caso, Paulo foi denunciado pelo Ministério Público pelo assassinato da estudante de enfermagem Rosemeire Maria da Silva, de 25 anos, ocorrido em 2004, em Juscimeira, a 164 km de Cuiabá.

Segundo as investigações, a jovem foi asfixiada em uma banheira de motel, teve o corpo decapitado e jogado em rios da região. Ele foi condenado a 19 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e falsificação de documentos.

Atropelamento de idosa

O atropelamento ocorreu quando Ilmes tentava atravessar a Avenida da FEB a pé. Imagens do circuito de segurança da via registraram o momento em que a idosa atravessava a avenida quando foi atingida pela caminhonete conduzida por Paulo Roberto. Com o impacto, o corpo da vítima foi arremessado para o outro lado da via e acabou sendo atropelado novamente por outro carro.

Após o acidente, Paulo fugiu do local sem prestar socorro. Já o condutor do segundo veículo permaneceu no local, prestou esclarecimentos à polícia e foi liberado. Imagens de câmeras de segurança analisadas pela investigação mostram que a vítima estava a menos de 50 centímetros do canteiro central da avenida, praticamente concluindo a travessia, quando foi atingida.

Vítima foi identificada como Ilmes Dalmes Mendes da Conceição — Foto: Reprodução

O advogado deve responder por homicídio doloso por dolo eventual, quando a pessoa assume o risco de provocar a morte, além do crime de fuga do local do acidente, conforme o informado pela Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran).

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