O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai anunciar, na manhã desta segunda-feira (29/6), um novo programa para renegociação de dívidas. O Desenrola Adimplentes será a proposta da equipe econômica para ampliar o Desenrola 2.0 e atingir pessoas que estão com as contas em dia, mas enfrentam dificuldade de acesso a crédito ou sofrem com juros altos.
A ideia é permitir que esse público também tenha condições mais favoráveis para renegociar dívidas futuras ou contratar empréstimos com juros mais baixos, usando mecanismos de garantia, como parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) ou verbas rescisórias, para reduzir o risco das operações.
O anúncio das medidas será feito às 10h, no Palácio do Planalto, e contará com a presença do ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Nos bastidores, havia receio sobre o programa, já que bancos demonstram resistência em aderir ao programa, o que tem limitado o avanço da iniciativa, com falta de um desenho mais claro e incentivos considerados suficientes pelo setor financeiro.
Apesar dos impasses, o governo precisava lançar o programa até sexta-feira (3/7), já que a legislação eleitoral proíbe a promoção de atos do governo nos três meses antecedentes às eleições — marcadas para 3 de outubro.
Segundo interlocutores, um dos principais entraves da medida é o público alvo do programa. Uma fonte da equipe econômica afirmou que o governo que diminuir a taxa de juros oferecida no projeto, que deve ser de 4%, segundo informações.
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No entanto, com a redução da taxa, o público elegível também fica limitado, o que afasta o interesse dos bancos. Nos bastidores, entidades do setor financeiro apontam que não existem vantagens na renegociação de dívida dos adimplentes.
A proposta do governo de reduzir os juros altos de uma dívida que está sendo paga não agrada aos bancos, já que além do faturamento ser impactado pela renegociação, também seria preciso criar uma infraestrutura de organização dentro dos sistemas das instituições financeiras, o que gera custo e não deve trazer grandes retornos, explicou um interlocutor a par das negociações.
Apesar disso, o governo alega que por mais as dívidas estejam sendo pagas, os juros aplicados são excessivamente altos, o que compromete grande parte do orçamento das famílias. O programa ajudaria a aliviar o orçamente e, consequentemente, faria a economia girar, já que parte daquele recurso antes utilizado para pagar dívidas seria colocado nos setores econômicos.
O que já se sabe sobre o Desenrola Adimplentes
O programa será voltado para brasileiros que mantém as contas em dia, mas que enfrentam juros altos. A proposta inclui a criação de uma linha específica para esse público, com condições mais favoráveis do que as atualmente disponíveis no mercado.
Entre os potenciais beneficiários, o governo pretende incluir trabalhadores informais, grupo que, segundo a equipe econômica, costuma pagar taxas mais altas justamente por não ter renda fixa comprovada.
A medida deve atender trabalhadores sem vínculo, ou seja, informais, e que tenham dívidas de até R$ 15 mil em operações de crédito pessoal sem consignação, o chamado Crédito Direto ao Consumidor (CDC), e com pelo menos cinco parcelas pagas em dia.
“É o informal, que ele não tem vínculo com renda fixa, renda firme para apresentar para instituição financeira. Em razão disso, ele paga um juros mais alto no crédito pessoal, porque ele não tem garantia para dar”, afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista ao Metrópoles.
Segundo informações, o público elegível da medida deve ficar em cerca de 3 milhões de brasileiros.
Desenrola 2.0
O Desenrola 2.0, lançado em maio de 2026, está em fase inicial, mas já apresenta resultados relevantes. Em poucas semanas, o programa havia renegociado cerca de R$ 20 bilhão em dívidas, com foco principalmente em consumidores inadimplentes, além de registrar operações em frentes como o Financiamento Estudantil (Fies), onde dezenas de milhares de contratos foram revisados com descontos elevados.
Como participar do Desenrola 2.0
- Podem participar pessoas físicas com renda de até 5 salários mínimos e dívidas bancárias em atraso, como cartão de crédito, cheque especial ou crédito pessoal;
- São elegíveis débitos contratados até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e até 2 anos;
- A renegociação é feita diretamente com bancos e instituições financeiras, com possibilidade de descontos elevados e parcelamento;
- Os juros limitados a até 1,99% ao mês, com parcelamento em até 48 vezes e parcelas mínimas a partir de R$ 50;
- O programa tem duração inicial de cerca de 90 dias desde o lançamento, em 4 maio de 2026, podendo ser prorrogado pelo governo.























