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OPERAÇÃO MANTUS

Arcanjo pagou R$ 900 mil em dinheiro a escritório de desembargador para conseguir HC no TJMT

Ex-bicheiro pagou R$ 900 mil em espécie a escritório de advocacia do desembargador aposentado Paulo Lessa para obter trancamento de ação penal em Habeas Corpus relatado pelo desembargador Rui Ramos Ribeiro, amigo próximo de Lessa
Desembargador Paulo Lessa que, antes de morrer, havia se aposentado e estava atuando como advogado

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O ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro pagou R$ 900 mil em espécie ao escritório de advocacia do desembargador aposentado Paulo Inacio Dias Lessa, morto no ano passado, como honorários referentes à propositura de um Habeas Corpus que trancou uma ação penal contra Arcanjo decorrente da Operação Mantus, deflagrada pelo Grupo de Combate ao Crime Organizado (GCCO) da Polícia Civil de Mato Grosso, e que apurava crimes relacionados ao jogo do bicho como lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A informação está contida em uma sentença onde o escritório do desembargador aposentado, hoje comandado por seu filho Fabio Lessa, cobrava um valor remanescente de R$ 100 mil de Arcanjo.

O escritório alegou que o valor total dos honorários exclusivamente para o HC foi de R$ 1.200.000,00.

No entanto, o juiz Yale Sabo Mendes, da 7ª Vara Cível, julgou procedente um processo de embargos à execução e declarou nula a suposta dívida de Arcanjo com o escritório.

“Sustenta o embargante [Arcanjo] que a contratação foi realizada com o Desembargador aposentado Paulo Inacio Dias Lessa, que integrava o escritório embargado à época, pelo valor total de R$ 1.200.000,00, sendo previsto que R$ 300.000,00 seriam levantados de valores que estavam apreendidos na Operação Mantus, e o restante (R$ 900.000,00) seria pago em dinheiro”, relatou Yale Mendes, na sentença.

Dos R$ 300 mil apreendidos na Operação Mantus, R$ 100 mil foram devolvidos ao ex-genro de Arcanjo, Giovanni Zem. O escritório questionou o não-pagamento da diferença.

Na ação, o escritório não questionou o pagamento dos valores em espécie.

Trancamento da ação penal no TJMT

A ação penal contra Arcanjo foi trancada, por falta de provas, em maio de 2020, após a contratação do escritório de Paulo Lessa, por meio de um Habeas Corpus julgado pela 2ª Câmara Criminal do TJMT, sob a relatoria do desembargador Rui Ramos Ribeiro, amigo próximo de Paulo Lessa, e que votou pelo trancamento da ação.

No julgamento, a juíza convocada Glenda Moreira Borges votou contra o trancamento.

Mas a ação acabou sendo trancada, por maioria, com o voto favorável do desembargador Pedro Sakamoto.

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