O Brasil atingiu 90% da cota anual estabelecida pela China para a importação de carne bovina brasileira, segundo comunicado divulgado pelo Ministério do Comércio chinês (Mofcom). O volume foi alcançado na segunda-feira (10/8), de acordo com o governo chinês.
Entraram no país asiático 995,4 mil toneladas de carne bovina in natura brasileira desde o início do ano. Para 2026, a cota destinada ao Brasil é de 1,106 milhão de toneladas, com a tarifa atualmente aplicável de 12%.
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A medida faz parte da salvaguarda adotada pela China para proteger o mercado doméstico diante do aumento das importações de carne bovina.
Quando o volume destinado ao Brasil atingir 100% da cota, as compras que excederem o limite estarão sujeitas a uma tarifa adicional de 55%, conforme as regras estabelecidas pelo governo chinês.
O comunicado do Mofcom detalha que a sobretaxa será aplicada a partir do terceiro dia após o limite da cota ser atingido, ou seja, a carne brasileira que ultrapassar o volume autorizado poderá ficar significativamente mais cara para os importadores chineses
O ritmo de exportação de carne bovina brasileira para a China desacelerou nos últimos meses diante da perspectiva de esgotamento da cota. A diferença entre os números divulgados por Pequim e as estimativas do setor brasileiro está relacionada à forma de contabilização das cargas.
O governo chinês considera a carne no momento do desembaraço e da entrada da carga em seu território. Já os frigoríficos brasileiros acompanham também os embarques que já deixaram o país, mas ainda estão em trânsito.
Como uma carga pode levar até dois meses para chegar à China, parte da carne já embarcada ainda não aparece no cálculo chinês.
A diferença é relevante porque significa que, para o setor brasileiro, a cota pode estar mais próxima do esgotamento do que indica o percentual divulgado.
Em julho, os frigoríficos brasileiros embarcaram 85,7 mil toneladas de carne bovina para a China. Foi o menor volume mensal de 2026 e representa uma queda de 47% em relação às 161,8 mil toneladas embarcadas em junho.
O faturamento também recuou. As exportações passaram de US$ 1,08 bilhão em junho para US$ 537,8 milhões em julho, uma redução de 50,3%.
Do total embarcado no mês passado, 82,7 mil toneladas correspondiam a carne bovina in natura, modalidade considerada no cálculo da cota chinesa. A receita com esse produto foi de US$ 529,2 milhões.
























