Apontado como a melhor alternativa de combustível diante dos sucessivos aumentos de preços da gasolina e do etanol, o Gás Natural Veicular (GNV) tem se tornado cada vez mais a opção escolhida pelos motoristas que priorizam a economia na hora de abastecer na Grande Cuiabá. O número de postos operando, no entanto, ainda está aquém da demanda.
Atualmente, há quatro pontos de abastecimento em Cuiabá e um em Várzea Grande. A expectativa é de que, até o final de 2022, esse número suba para oito, com mais duas unidades na Capital e uma na cidade vizinha, segundo revelou ao RD News o presidente da Empresa Mato-grossense de Gás (MT Gás), Rafael Reis.
“Fizemos uma programação de novos postos para atender a demanda atual, uma demanda futura, e ter uma reserva operacional. Até o mês de novembro, todos eles estarão operando, e a gente acredita que esses 8 postos operando a gente atenda a demanda até o final de 2023”, afirmou.
Além de novos pontos de abastecimentos, Rafael diz que o valor do gás deverá ser mantido, ainda que a distribuição tenha sido impactada pela guerra entre Rússia e Ucrânia, onerando em 30% o valor do combustível.
“A MT Gás, até o final do ano, não fará nenhum aumento no valor do gás. A não ser que essa guerra entre Rússia e Ucrânia perpetue por mais tempo e venha a provocar um outro pico de subida”, disse.
Saída econômica, mas logística comprometida
Com os combustíveis líquidos chegando a custar R$ 7,95 o litro, o GNV também se tornou a principal escolha entre os trabalhadores de transporte por aplicativo na região metropolitana. Sendo comercializado a R$ 3,19, o GNV chegou com a promessa de reduzir as depesas em até 60%. Esse cálculo motivou centenas de motoristas a mudarem o funcionamento do veículo.
No entanto, em razão da baixa oferta, ele foram supreendidos por filas de até duas horas em postos de abastecimento. Isso porque, mesmo operando com abastecimento por GNV desde 2005, Mato Grosso não conseguiu atender o aumento da demanda de quem procurava fugir dos valores altos dos combustíveis. Mas, após a fase de adaptação da nova realidade, o presidente da MT Gás garante a criação novos postos, abastecimento e estabilidade no preço do produto na região metropolitana.
“Nos últimos meses, houve uma grande conversão de veículos para GNV, de forma muito mais rápida e muito maior do que a demanda de instalação dos postos. Nessa adaptação, os equipamentos demoraram muito para serem entregues, o que gerou um transtorno de filas e intempéries nos abastecimentos que estavam acontecendo”, explica.
De acordo com as informações da MT Gás, cerca de 80% dos veículos que abastecem com GNV pertencem a motoristas de transporte por aplicativo. Inclusive, o grupo recebeu uma série de benefícios como isenção do IPVA, gratuidade na regularização do veículo e isenção parcial do ICMS do GNV, com cobrança de somente 2% somente.
“É bom frisar que o gás de Mato Grosso é o mais barato de todo o país. Comparando a algumas capitais, a gente chega a ser 50% mais barato”, frisou o presidente.
Embora existam muitas vantagens no consumo do GNV, ainda é cedo para apontar que o gás chegará ao mesmo nível de comercialização dos combustíveis líquidos.” Um carro que faz 7 km por litro de etanol, vai passar a fazer 11 km com o gás. De forma que ele anda mais e por um valor mais barato. Então, hoje a economia é em torno de 60%”, completou o presidente.
Ele salienta que, até o segundo semestre de 2023, a empresa pretende fazer uma nova análise do cenário, para investigar as filas e volume de venda. Caso seja comprovado que os problemas com a logística persistem, a instalação de novos postos não está descartada.
“Sem reclamações”
Lucas de Souza trabalha há pouco mais de 1 ano como Uber e há 2 meses fez a conversão do seu veículo para GNV. Segundo ele, a escolha foi uma das melhores que ele fez na profissão.
“Há uns dois meses que eu passei o GNV e não tenho do que reclamar. Eu tinha um certo receio, mas em questão de economia é outra coisa, outra qualidade. Antigamente eu gastava uma média de R$ 300 de etanol por dia, hoje eu gasto uma média de R$ 60 com combustível por dia”, disse o motorista.
Para fazer a conversão é preciso fazer alterações no motor do veículo e instalações de cilindros no porta-malas, além de passar por vistorias do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MT). O medo de Lucas era que o processo não fosse bem feito e danificasse o seu veículo. Outra insegurança que ele tinha era se a economia seria significativa.
“Eu tinha medo, mas fui pesquisando, vi que não é perigoso, decidi colocar e não me arrependo”, afirma.
Logo que começou a utilizar o GNV, o motorista enfrentou algumas filas para abastecer. Porém, o número de postos foi aumentando e, atualmente, ele considera a rotina tranquila. “Eu peguei algumas filas, bem no comecinho, mas hoje já tem bastante posto e não pego mais. Além do que, o abastecimento é bem rápido. Às vezes a fila está grande, mas é questão de 10 ou 15 minutos para abastecer”.
Depois de já ter ficado 40 minutos em uma fila de carros, Lucas começou a planejar o horário de ir até os postos de combustíveis. Para não comprometer o rendimento nas corridas do aplicativo, escolhe no final da noite ou o horário do almoço para abastecer.
Com várias manobras para economizar e fazer render um dia de trabalho, o motorista Lucas conta que já conseguiu dirigir por 200 km com o tanque completo de GNV, por R$ 36.
O caminho do GNV
Para chegar até Mato Grosso, o gasoduto percorre 642 km partindo da Bolívia, passando por Cáceres, Poconé, Nossa Senhora do Livramento e Várzea Grande até chegar em Cuiabá.
O Estado tem um contrato com o país boliviano de 5 anos, com renovação do mesmo período, que garante o fornecimento de 6.990 mil metros cúbicos por mês para os mato-grossenses.
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Fonte: RD NEWS























