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DEUSDÉDIT DE ALMEIDA

Festejos do Senhor Divino

Festa tem origem na ocupação desta região pelos bandeirantes Portugueses
Padre Deusdédit de Almeida

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A multissecular, rica e venerável tradição da festa do Senhor Divino em Cuiabá, comemorada desde os primórdios da Monarquia imperial brasileira, tem sua origem na ocupação desta região pelos bravos bandeirantes Portugueses e Paulistas, com registro histórico do ano de 1813. Esta festa tem sua origem no início do século XIV em Portugal, atribuída à devoção da Rainha santa Isabel (1271-1336).

Ela teria feito uma promessa, numa fervorosa oração, oferecendo a sua coroa ao Espírito santo e a construção de uma Igreja para irradiação do culto ao Senhor Divino. A Igreja foi construída na vila de Alenquer (1279). O apelo comovente de rainha Isabel era em favor da paz e a reconciliação no seio da família real. Portugal estava à beira de uma guerra civil por disputa de poder na realeza, travada pelo pai (D. Dinis I), esposo de Isabel, e seu filho (D. Afonso IV).

Ela alcançou a graça da pacificação, impedindo a guerra.  Os colonizadores trouxeram a devoção para o Brasil. Assim, o culto de adoração ao Senhor Divino mobiliza, todos os anos, milhões de fiéis devotos ao redor do mundo e no Brasil. Em Cuiabá, esta festa já passou por diferentes fases, formas e manifestações, de acordo com a evolução histórica e metamorfose dos tempos.  Passou pelas carruagens, cavalarias e touradas do campo D’Ourique, até entrar na contemporaneidade marcada pela modernização da cidade, pelo advento da Internet e das redes sociais, que hoje “bombam” a festa.

É uma festa marcada pelo brilhantismo e esmero, tanto na fase de preparação como na sua realização. 0s festejos começam com a Novena mensal na residência dos devotos, que se inicia nove meses antes da solenidade. É uma novena marcada pelo fervor espiritual e piedosa participação, seguida de uma confraternização. Segundo a tradição da Igreja, a prática da novena tem sua origem e inspiração no dia da Ascensão do Senhor ao céu, quando o próprio Jesus pediu aos discípulos que permanecessem um tempo juntos, unidos em oração, até que recebessem o Espírito Santo prometido (At 1,4-14).

Foi a primeira novena de Pentecoste. Esta festividade é precedida pela peregrinação da Bandeira pelas ruas da cidade, conhecida popularmente de “esmola do Senhor Divino”, e a novena diária na Catedral. A grandiosa festa do Senhor Divino, no dia de Pentecoste, é comemorada com a missa de ação de graças e escolha da nova corte. Alguns símbolos marcam esta rica e antiquíssima religiosidade Cuiabana: a Corte, designa a comissão de coordenação da festa, neste ano o Imperador é o Senhor Leonardo de Oliveira e Imperatriz a sra. Carmen Cenira Souza almeida; Bandeira do Senhor Divino, de cor vermelha, simboliza o fogo que desceu sobre os apóstolos e a virgem Maria (At. 2, 1-4).

A coroa: nas solenidades festivas, é usada pelo imperador e imperatriz e, nas esmolas, pelos presidentes de Bandeira e confraria. Salva: Bandeja de prata que serve para sustentação da coroa e do Cetro. Cetro: simboliza o poder de mando e decisão do imperador.

É, também, levado às residências dos fiéis por ocasião da esmola, pelos confrades e confreiras. Pão Bento: Uma antiga tradição revela que as famílias guardavam em um saquinho, nas vasilhas de mantimentos, o pão que recebia na visita da bandeira, acreditando que, com isso, atrairia a abundância de alimentos e fartura. Medalhas do Senhor Divino: essa medalha contém a imagem da pomba que representa o Divino Espírito Santo e, após ser abençoada, é distribuída aos fiéis com objetivo de proteger e livrar de todos os males, quem a receber.  A teologia católica, através do credo apostólico, proclama que há um só Deus em três pessoas e três pessoas num só Deus. Jesus é a palavra eterna e o Espírito santo o sopro da vida, que saem de uma mesma boca que é o Pai eterno.

A Tradição católica nos ensina que o espirito santificador é a alma e luz da Igreja, o qual foi derramado, abundantemente, sobre todos os seus membros. Ele habita os corações das pessoas pelo batismo, dando-lhes entusiasmo, coragem e discernimento. É o consolador dos aflitos que mantém viva, nas mentes humanas, a utopia de uma humanidade totalmente restaurada, justa, fraterna, solidária e feliz portanto, a festa do senhor Divino é uma grandiosa sinfonia de afetos humanos, de encontros festivos e de congraçamento social. É precisamente por isso, que os devotos(as) suspiram pelos festejos do Senhor Divino em Cuiabá.

O último verso do hino cantado do Senhor Divino, uma lindíssima tradição, diz: “Faça a promessa, com muito louvor. O Divino Espírito Santo é de Cuiabá! Sim, Cuiabá é a casa do Espírito Santo!

E Viva o Senhor Divino!

Deusdédit de Almeida é padre na Catedral Basílica do Senhor Bom Jesus de Cuiabá.

*Os artigos de opinião são de responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do Isso É Notícia*

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