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ALVO DA PF

Investigado por mineração ilegal, empresário é ligado à rodovia de R$ 130 milhões cujo asfalto esfarelou

Alvo da PF por mineração ilegal, empresário é ligado a asfalto que “esfarelou” menos de um ano após obra
Alvo da PF por mineração ilegal, empresário é ligado a asfalto que “esfarelou” menos de um ano após obra - Foto: Sinfra-MT

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O empresário Marcelo Bozetti, um dos alvos da Operação Peso Bruto, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (04.08), também está ligado ao grupo empresarial que integra o consórcio responsável pela pavimentação da MT-170, rodovia que passou a ser investigada após apresentar graves problemas estruturais menos de um ano depois da conclusão das obras.

A operação da PF apura um suposto esquema de extração ilegal de calcário em Rosário Oeste, que teria causado prejuízo superior a R$ 3 milhões aos cofres da União.

Paralelamente, o Tribunal de Contas do Estado (TCE), a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT), o Ministério Público Estadual (MPE) e a Controladoria-Geral do Estado (CGE) investigam a deterioração precoce da MT-170, obra de aproximadamente R$ 130 milhões executada por um consórcio que inclui a MT Sul Construções, empresa ligada ao empresário.

O caso ganhou grande repercussão em maio deste ano, quando o presidente do TCE, conselheiro Sérgio Ricardo, realizou uma inspeção na rodovia após denúncias de vereadores, produtores rurais e lideranças da região Noroeste sobre o rápido desgaste do pavimento.

A obra foi executada pelo Consórcio Sanches Tripoloni-Trafecon-MT Sul, formado pelas empresas MT Sul, Guache, Cavalca e Agrimat, responsável pela pavimentação de 50,7 quilômetros da rodovia entre os municípios de Castanheira e Juruena.

Durante a fiscalização, técnicos do TCE constataram que a camada asfáltica executada possuía apenas cinco centímetros de espessura, embora os estudos técnicos previssem 7,5 centímetros para suportar o intenso tráfego de caminhões na região. A diferença representa uma redução de cerca de 33% em relação à espessura originalmente prevista.

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Segundo o Tribunal de Contas, a alteração do projeto, somada ao elevado fluxo de veículos pesados, contribuiu para o surgimento precoce de buracos, trincas e deformações ao longo da rodovia, entregue há menos de um ano.

Após a vistoria, Sérgio Ricardo classificou a situação como grave e defendeu a reconstrução dos trechos comprometidos. O conselheiro também alertou que outros segmentos da estrada podem apresentar os mesmos problemas, já que foram executados com as mesmas especificações técnicas.

Sinfra busca rescindir contrato

Os problemas identificados na MT-170 também levaram a Sinfra-MT a adotar uma série de medidas administrativas.

De acordo com a secretaria, desde 2023 o consórcio responsável pela obra vem sendo notificado por falhas na execução dos serviços. Foram quatro notificações naquele ano, 16 em 2024 e outras seis em 2025.

Atualmente, a pasta conduz um processo administrativo para rescindir o contrato e aplicar sanções que podem incluir a suspensão do direito de licitar e contratar com o poder público por até cinco anos, além de multas superiores a R$ 4 milhões.

A Sinfra-MT também acionou a seguradora responsável pela apólice de garantia da obra e instaurou procedimentos para apurar eventuais falhas da empresa supervisora do contrato, bem como possíveis responsabilidades de servidores envolvidos na fiscalização e acompanhamento dos serviços.

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