A polarização Lula x Bolsonaro, promovida em parte pela mídia, não é boa para o país porque enquanto focamos nossas energias ou em combater o discurso de um ou em apoiar a ação do outro, não permitimos a ampliação do debate de ideias que possam apontar um caminho para o Brasil sair efetivamente das crises política, social e econômica nas quais estamos imersos há décadas.
Embora essa polarização aconteça, em boa parte, na arena da mídia, ela não é a única responsável por esse debate vazio que consome nosso tempo e energia. Além dela podemos apontar pelo menos mais três “agentes” que são corresponsáveis pelo atual cenário político em que nos encontramos: o mercado, o campo político e o eleitor.
Apesar do país estar imerso em uma crise econômica o mercado parece não querer que saiamos dela, pois sempre tem alguém lucrando com essa crise e não somos nós cidadãos comuns. Assim é importante não permitir o surgimento de líderes que fomentem o debate e que apontem possíveis caminhos não somente para o desenvolvimento, mas também para a saída da crise.
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A polarização interessa também ao campo político, pois a ascensão de um novo líder representa perda de espaço e em política ninguém quer perder espaço. Assim há década o campo político fomenta a polarização desde PT x PSDB, ainda na década de 90, até a atual Lula x Bolsonaro. Ao alimentar a polarização conseguem manter o espaço conquistado, porém ao mesmo tempo mantem o país em suas crises.
O eleitor também tem sua parcela de culpa nesse processo, pois ao invés de cumprir seu papel cívico de participação política prefere apostar em figuras heroicas ou carismáticas, que ele acha, capaz de realizar seus sonhos e desejos. Assim não acompanham a atuação política do legislativo, responsável pelas decisões que afetam nosso dia-a-dia, mas cobram muito do herói ou carismático que elegeu para o executivo.
Desta forma o Brasil passa o tempo discutindo pessoas ao invés de discutir, o que mais importa, seu futuro. Nessa toada não consigo enxergar mudanças em um horizonte próximo, pois para haver mudanças no agir político tem que haver mudanças na ação da mídia, no comportamento do mercado, do campo político e, principalmente, do eleitor.
Carlos Oliveira Publicitário – Mestre em Comunicação e Sociedade
Fonte: CARLOS OLIVEIRA
























