Os que têm mais tempo de vida certamente se lembram dos Três Patetas, um trio de comediantes que fez muito sucesso no século passado. Durante muitos anos Moe, Larry e Curly arrancaram gargalhadas com suas baixarias e confusões, quase sempre por confundirem ignorância com inteligência ou esperteza. Lembrei deles ao conferir as notícias sobre as convenções partidárias em Mato Grosso. No nosso caso os patetas já exercem mandatos e, com o próprio nome ou de prepostos, almejam cadeiras na ALMT e no Congresso Nacional. Vamos apresentá-los.
José Medeiros, deputado federal e agora candidato a senador, foi o primeiro a imitar os comediantes. Ele surgiu na política anos atrás através de uma polêmica e controversa alteração na ata da convenção de um partido de esquerda. Se elegeu suplente de senador, assumindo a titularidade após a renúncia de Pedro Taques – que deixou o mandato para assumir o Governo de Mato Grosso. Agora Medeiros foi vítima da própria torpeza. Nos últimos minutos seu partido, o PL, incluiu na ata da Convenção o apoio ao nome de Janaína Riva (MDB) como segunda candidata ao senado – frustrando os planos que tinha.
Medeiros, que já foi militante do PT e do PPS, nos últimos anos surfa a onda da extrema-direita bolsonarista. Contava com isso para obter a desejada exclusividade no PL. Tentou peitar o líder máximo do legenda, o senador e candidato a governador Wellington Fagundes. Bateu no toco errado. Perdeu. E não escondeu o descontentamento. Com sua voz esganiçada, trespassada por agudos que lembram muito o pateta Larry, tentou posar de vítima e não colou. Apenas reforçou a imagem de mau perdedor.
Na mesma linha foi o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini. Truculento e desprovido de inteligência como o personagem ‘Moe’, acusou o PL de incoerência e disse que não subirá nos palanques do partido. Nenhuma surpresa. Bem antes ele já havia sinalizado a infidelidade partidária com elogios fartos à gestão do ex-governador Mauro Mendes (UB) e a Otaviano Pivetta (Republicanos), que sempre foi seu candidato ao governo. Como um pateta típico, Abílio acha que pode enganar a todos com seu teatro. Não engana ninguém e, cá entre nós, muitos do PL consideram seu distanciamento uma dádiva. Livra a legenda de explicar a péssima gestão na prefeitura da capital.
Fechando o trio temos o prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira, outro surfista da onda bolsonarista. Sentindo-se o mais esperto de todos, embarcou na onda de Abílio como se fosse o mais radical dos extremistas. Causou espanto em quem não conhece seu mandato. Quem conhece, riu.
Como ocorre com os outros dois patetas, quase tudo em Cláudio Ferreira é falso. A começar pelo seu radicalismo. Não custa lembrar que o MDB, que ele diz repudiar como aliado nestas eleições, compõe sua base de apoio em Rondonópolis. Aliás, Cláudio escolheu um vereador do MDB, Ibrahim Zaher, como seu líder na Câmara Municipal. Isso mesmo, um emedebista representava oficialmente Cláudio no diálogo com os vereadores. Zaher deixou o cargo recentemente por vontade própria. Aparentemente não suportou tanta hipocrisia, tanta patetice.
Interessante notar que nenhum dos três pode ser considerado uma liderança de verdade. É interessante notar que a atuação desses políticos parece mais ligada a um alinhamento ideológico de ocasião do que a um histórico de serviços prestados ou a uma base política consolidada ou bandeira que desperte apreço popular.
Suas trajetórias são vistas como resultado de circunstâncias específicas, capitalizando uma onda política momentânea. Entraram na vida pública pela porta dos fundos e mantém-se enganando os incautos com a carapuça dos extremistas de direita. É daí que vieram seus votos e, sem a onda bolsonarista, voltam a ser o que sempre foram: patetas
O problema é que, diferente do trio original, nossos patetas estão no mundo real e aqui podem causar danos severos. Daí a importância de leva-los a sério, revelar seus disfarces e alertar os mato-grossenses para o risco desses ilusionistas. É sempre bom lembrar que voto tem consequência e não se pode brincar com o futuro
*Carlos Naves de Resende é advogado
*Os artigos de opinião são de responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do Isso É Notícia*
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O advogado medíocre devia ter tido a honestidade de mencionar que era contratado em cargo de subordinação ao candidato Zé Medeiros, quando o mesmo era Senador, e foi demitido por estar envolvido em falcatruas. Deve ser por isso que não há comentários a esse artigo de quinta categoria, pois, ao contrário dos 03 patetas do cinema que precisavam se juntar para fazer comédia, o causídico dá conta sozinho e ainda sobra. kkkkkkkkkk