Ao não ser chamado para subir ao palco, o prefeito de Sorriso (MT), Alei Fernandes (União), abandonou um evento do PL Mulher em sua cidade que teve Michelle Bolsonaro como estrela.
Vídeos mostram o prefeito gesticulando contrariado com uma pessoa que veste uma camiseta da organização. Alei Fernandes argumenta na lateral do salão onde ocorreu o evento. Na sequência, começa a caminhar e continua reclamando muito.
Uma segunda gravação apresenta o prefeito do lado de fora. Várias pessoas estão ao redor dele, incluindo uma mulher com camiseta do PL Mulher, que é presidido por Michelle. É possível ouvir a conversa neste vídeo, em que Alei reclama da organização.
Sorriso recebeu a ex-primeira-dama no sábado para um encontro da direita. O evento faz parte de viagens organizadas para promover o nome de Michelle pelo Brasil. Com a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro e a possibilidade de ela ser candidata, os atos do PL Mulher ganharam ainda mais importância.
A assessoria de Michelle alega que houve um mal-entendido. Acrescenta que o prefeito não foi barrado e seria chamado ao palco em outro momento pela ex-primeira-dama, o que seria um sinal de deferência.
O prefeito não culpa Michelle. Alei acredita que ela não percebeu o que estava acontecendo. Por fim, diz que a relação entre ambos é boa e que tem uma agenda com a ex-primeira-dama amanhã.
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Prefeito culpa PL local
Em mensagem ao UOL no domingo, o prefeito de Sorriso informou que ele e três vereadores não puderam subir ao palco. Ele ressaltou uma contradição. Disse que até mesmo uma mulher que é vereadora pelo PL não pôde acessar o local onde ocorria o evento da ala feminina do partido.
Alei Fernandes associou a situação à política local. “Esta questão é restrita a Sorriso. [Ao] PL de Sorriso somente”, justifica. O prefeito pediu respeito institucional,porque foi ao evento como representante do povo da cidade.
A aproximação com um ministro de Lula antecedeu o mal-estar. O prefeito esteve em um ato de entrega de moradias em Cuiabá com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, que é de Mato Grosso. A intenção é levar o programa para Sorriso.
Também houve recebimento de uma emenda do ministro para a construção de um hospital. A verba é considerada prova da aproximação com o governo federal. Alei se elegeu com discurso de representante da direita conservadora.
No palco ao lado de Michelle, integrantes do PL pediram cuidado com falsos representantes da direita. Existe bastante contrariedade no Congresso Nacional e nos diretórios estaduais e municipais do partido com o que a ala bolsonarista raiz classifica como “aproveitadores”.

Na mensagem de domingo, o prefeito criticou a atitude do PL local. “Ninguém constrói uma posição político-partidária só, e é isso que o PL de Sorriso tem que entender. As eleições já se encerraram e precisamos avançar.”
O PL Mulher de Mato Grosso repetiu o argumento do mal-entendido. Em nota divulgada ontem, a sigla justificou que no primeiro momento do evento foram chamados somente integrantes do partido e que isto foi dito ao prefeito. Não houve explicação sobre a exclusão da vereadora do próprio PL.
A nota diz que o prefeito não entendeu as orientações da organização. “Conforme já expresso, [o casal prefeito e sua esposa] receberia atenção diferenciada ao ser convidado pela própria presidente do PL Mulher em momento especificamente previsto para tal. Infelizmente, eles se retiraram sem ouvir as instruções da organização.”
Em postagem no Instagram hoje, o prefeito rebate o PL Mulher de Mato Grosso. “Nenhum representante da comunicação da Prefeitura de Sorriso foi informado sobre o protocolo que seria seguido.”
A publicação é cordial com Michelle Bolsonaro e alfineta o PL local. “Reiteramos nosso apreço e respeito à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, ressaltando, contudo, que o mesmo respeito deve ser dispensado aos representantes eleitos pela população do município.”





















