O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, Sérgio Ricardo, declarou que é necessário investimento em um plano de governo para os municípios de Cuiabá e Várzea Grande, que vêm enfrentando cada vez mais situações de pobreza e abandono. Segundo o conselheiro, atualmente, as duas cidades já contam com mais de 80 bairros periféricos – número que tende a aumentar. A afirmação foi feita em entrevista coletiva realizada na última quarta-feira (29), quando houve a apresentação do Plano Diretor de Cuiabá no TCE.
“O desenvolvimento está indo para o Sul, Médio Norte, Norte. Quando você chega numa cidade como Lucas, Sorriso e Sinop, você fala: ‘Não é possível que nós temos um interior assim e Cuiabá e Várzea Grande na miséria como a gente vê hoje’. Há necessidade de se repensar muito Cuiabá e Várzea Grande”, pontuou o presidente.
Sérgio Ricardo explicou que um dos focos do plano de metas que o TCE vem desenvolvendo para as próximas gestões discute questões como moradia, saúde, emprego e qualificação. O presidente teceu críticas ainda à falta de desenvolvimento da Baixada Cuiabana.
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“As duas cidades estão ficando cada vez mais pobres. Basta olhar. Quando eu cheguei aqui, há 40 anos, Várzea Grande era cidade industrial. Industrial do quê? Só tinha cerâmica. Só se fabricava tijolos de telha. Hoje nem isso tem mais”, expôs.
O presidente destacou que acredita na qualificação dos mato-grossenses como ferramenta para o problema. “Qualquer governo que vier tem que ter como uma das suas prioridades o bolsão de miséria que existe em Cuiabá e Várzea Grande. A única salvação é a industrialização do estado de Mato Grosso e a qualificação”, afirmou o conselheiro.
Por fim, Sérgio Ricardo reforçou que não vê Mato Grosso como um estado rico e alertou sobre os números relacionados à pobreza e à fome.
“Nós temos meio milhão de pessoas em Mato Grosso abaixo da linha da miséria. Meio milhão de pessoas passando fome em Mato Grosso. Em Cuiabá e Várzea Grande, tem 120 mil pessoas abaixo da linha da miséria, da linha da pobreza, que passam fome. Não tem comida na mesa, não tem café da manhã, almoço, jantar. […] E não adianta, não vai melhorar se não tivermos estratégias e vontade política, porque é só com vontade política que muda”, finalizou.




















