A Rede de Proteção de Jornalistas e Comunicadores emitiu uma nota de repúdio às tentativas de ameaça e intimidação ao jornalista Pablo Rodrigo, do jornal A Gazeta, via processos judiciais e uso da máquina estatal após escrever uma reportagem envolvendo o empresário Luis Antonio Taveira Mendes, filho do governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União).
A defesa do jornalista está sendo acompanhada pelo Instituto Vladimir Herzog.
Após a publicação da reportagem, Pablo foi alvo de uma ação civil movida por Mauro Mendes e o filho.
Além disso, a Delegacia de Combate a Crimes Informáticos (DRCI), órgão que vem se tornando uma espécie de delegacia pessoal do governador e de sua família, também abriu um inquérito para investigar Pablo Rodrigo.
A nota ainda cita o caso envolvendo o jornalista Alexandre Aprá, diretor do Isso É Notícia, que foi perseguido por um detetive particular que foi filmado afirmando que havia sido contratado pelo governador para forjar flagrantes contra o jornalista.
Neste caso, ninguém foi responsabilizado pela Polícia Civil pelos atos criminosos do detetive particular e seus contratantes e o caso está na Procuradoria-geral da República, em Brasília.
Este não é o primeiro ataque de Mauro Mendes ao jornalista Pablo Rodrigo.
No ano passado, o governador empurrou o jornalista, durante uma entrevista coletiva, após ser questionado pelo jornalista sobre um assunto incômodo.
Confira a nota da rede ou CLIQUE AQUI:
Jornalista Pablo Rodrigo sofre tentativa de ameaça e intimidação
A Rede Nacional de Proteção de Jornalistas e Comunicadores vem a público manifestar solidariedade ao jornalista Pablo Rodrigo, que atua no Estado de Mato Grosso, e repudiar a tentativa de ameaça e intimidação via processos judiciais e o uso da máquina estatal para investigá-lo, após reportagem envolvendo o filho do governador do Estado, Sr. Luis Antônio Taveira Mendes.
A reportagem em questão relata a compra de mercúrio ilegal para utilização em garimpos, por empresas, entre elas, a do filho do governador, e que estariam sendo investigadas, assim como as demais empresas nos desdobramentos oriundos da Operação Hermes, da Polícia Federal.
A partir da apuração em inquérito policial e fontes próprias no caso, o jornalista produziu e publicou reportagem em 09 de julho de 2023, oferecendo espaço para manifestação do Sr. Luis, que preferiu não se manifestar. Posteriormente, em 10 de julho de 2023, o jornalista publicou nova matéria, dessa vez dando destaque ao fato de que o governador negava a participação de seu filho na referida investigação.
Poucos dias depois, em 13 de julho de 2023, o governador Mauro Mendes (União Brasil) e seu filho, ingressaram com uma ação judicial contra o jornalista e as empresas do veículo de imprensa requerendo: i) censura da matéria; ii) retratação pública; iii) pedido de desculpas; iv) condenação dos réus, solidariamente, ao pagamento de indenização por danos morais fixados em R$ 660 mil, além de honorários de sucumbência, custas processuais, e juros de 1% ao mês a serem aplicados desde a data do suposto ato ilícito.
É importante lembrar que o assédio judicial tem se tornado uma forma de censura a jornalistas e comunicadores bastante utilizada por pessoas com poder político ou econômico em todo o país. Estratégias de judicialização predatória têm o objetivo de gerar nos profissionais de imprensa a autocensura.
Na maioria das vezes não há elementos factuais que respaldem o processo judicial, inocentando o comunicador nas instâncias jurídicas. Mas a necessidade de compor defesa e cumprir todo o rito judicial pode acarretar prejuízos financeiros e psicológicos ao profissional de imprensa ou comunicador que, por fim, geram a autocensura.
Essa prática não é a primeira do governador de Mato Grosso, que incomodado com as reportagens jornalísticas de Pablo Rodrigo, já chegou a agredi-lo com um tapa no peito, por ser questionado em uma coletiva sobre o caso em que havia se tornado réu.
Existe ainda na PGR (Procuradoria Geral da República) uma investigação envolvendo o governador e outro jornalista de Mato Grosso, que denunciou a contratação de detetive para persegui-lo e tentar incriminá-lo, como demonstra reportagem publicada pela Agência Pública.
Neste sentido, estamos acompanhando de perto os processos judiciais movidos por figuras do poder público do estado do Mato Grosso contra o jornalista Pablo Rodrigo, e consideramos inadmissível que o jornalista sofra qualquer tipo de perseguição.
A liberdade de imprensa é um dos pilares da democracia na medida em que é um direito da sociedade estar bem informada. Principalmente sobre a ação daqueles que são representantes políticos e pessoas públicas, eleitos pela coletividade. Ao jornalista Pablo Rodrigo rendemos nossa solidariedade e esta Rede Nacional de Proteção de Jornalistas e Comunicadores repudia quaisquer formas de censura ao seu trabalho.




















