A Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso, por meio da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá, concluiu o inquérito policial que investigava Leomindo de Arruda Maciel Junior, conhecido publicamente como o locutor e apresentador “Júnior Cuiabano”. O atual Secretário Adjunto de Estado foi indiciado pelo crime de importunação sexual.
O relatório final, assinado pela delegada Vanessa Aguiar da Cunha Garcez no dia 14 de abril de 2026, foi encaminhado ao Poder Judiciário de Mato Grosso para as providências cabíveis. O caso tramita sob sigilo no Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias (Polo Cuiabá).
De acordo com relatos de vítimas ouvidas pela reportagem, mesmo após o indiciamento o suspeito continuou trabalhando no governo. Ao invés de afastá-lo, o governo decidiu por retirar de eventos do cerimonial as vítimas do ocorrido. Em nota, o governo informou que está cumprindo a decisão judicial de medida protetiva.
O caso
A investigação teve início após denúncia publicada pela reportagem do PNB Online, em que vítimas alegam que o locutor teria cometido assédio contra elas e que estes episódios foram relatados à ex-primeira-dama do estado, Virgínia Mendes, mas nada foi feito.
As vítimas, que pediram para que seus nomes não fossem divulgados, relatam que após tentativas frustradas do locutor foram escanteadas por decisões administrativas dele até que fossem exoneradas.
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A então primeira-dama chegou a ligar para duas das vítimas, ouviu o relato do suposto episódio de assédio, mas a situação continuou. Nenhum procedimento administrativo disciplinar ou investigação formal foi feita, apesar das vítimas procurarem o governo.
Segundo uma das vítimas, o assédio ocorreu por meio de piadinhas e comentários inadequados, como “você é linda”, “se eu casasse com você”, “se você largasse seu marido”. Outra mulher, que também pediu para falar sob anonimato, relatou que o locutor sugeriu a ela que os dois “ficassem” e que ela poderia ser beneficiada com “gordurinhas de contratos”.
“Em um dos eventos ele me procurou e tentou me abordar, dizendo que tinha interesse, falando que se ficasse com ele eu poderia ganhar com ‘gordurinhas de contratos’. Eu recusei, fiquei assustada e depois ele me mandou mensagem, no celular, perguntando sobre o meu comportamento”, conta. Ela relatou que, em outra ocasião, o locutor teria jogado um fone de ouvido como se fosse um presente, dentro de sua bolsa.
As servidoras contam que o locutor do cerimonial costumava afirmar, em rodas de conversas, que é um “ninfomaníaco” e que a declaração acabava constrangendo quem estava presente.
Outra servidora afirmou que disse não às investidas e contou que passou a sofrer constrangimentos públicos por parte chefe de cerimonial por estar impedida de viajar para os eventos em razão de uma questão de cunho pessoal.
O documento encaminhado à Justiça confirma que o inquérito foi “devidamente concluído” com o indiciamento do investigado. O processo agora segue para análise do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), que poderá oferecer denúncia formal, solicitar novas diligências ou pedir o arquivamento do caso.
Outro lado
Por meio de nota, o governo afirmou que não “tem conhecimento da finalização do processo de investigação” e que cumpre a decisão judicial imposta ao servidor.
O processo tramita sob Nível de Sigilo 1 (Segredo de Justiça), o que limita o acesso a detalhes específicos dos depoimentos e provas em vídeo anexadas aos autos.
Até o momento da publicação desta reportagem, a defesa de Leomindo de Arruda Maciel Junior não havia se pronunciado publicamente sobre o indiciamento. O Governo do Estado de Mato Grosso também não informou se haverá afastamento do gestor durante o curso do processo judicial.





















