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Uma semana após extinção de parque pelo TJMT, Serra do Cristalino II está em chamas

Focos de calor são registrados em mais de 872 hectares da Serra cujo parque foi extinto na semana passada pela Justiça de MT; sete homens do Corpo de Bombeiros combatem, segundo ambientalistas

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Uma semana após o Tribunal de Justiça de Mato Grosso decidir pela extinção do Parque da Serra do Cristalino II atendendo a uma empresa privada, um grande incêndio atinge a unidade de conservação que fica na região amazônica, entre os municípios de Alta Floresta e Novo Mundo.

Ambientalistas que estão monitorando a área do fogo por de meio de satélites estimam que 872 hectares já foram consumidos pelas chamas.

Segundo imagens de satélite, o fogo começou no sábado (13) em área recentemente desmatada, entre junho e julho.

O Corpo de Bombeiros informou, por meio de assessoria de imprensa, que a base de Apiacás foi destacada para o combate, mas não informou o número de homens que trabalham no incêndio.

Aviões que sobrevoam a região fazem registro do fogo (Reprodução)

Entidades de defesa do meio ambiente afirmam que a referida base conta apenas 7 homens.

“Fomos informados que apenas o efetiva da base de Apiacás, que tem efetivo de sete homens, foi destacado para combater o incêndio”, comentou um ambientalista ouvido pelo portal.

Aliado ao avanço do desmate no parque, entidades de de defesa do meio ambiente vêem o incêndio florestal com muita preocupação.

Suspeita de origem criminosa

O secretário executivo do Fórum Mato-Grossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento (Formad), Herman Oliveira, alerta sobre o que é classificado como modus operandis do processo de uso e ocupação de áreas protegidas em Mato Grosso.

Segundo ele, o caso no Parque Cristalino não pode ser isolado, afinal, as estimativas iniciais são de que pelo menos 900 hectares já foram desmatados e queimados de maio a agosto deste ano.

Por esta razão, a desconfiança é de que o incêndio registrado neste final de semana tenha sido causado de forma criminosa.

“A lógica dessas pessoas é desmatar, queimar e ocupar para que depois, quando não há mais como recuperar, o Estado legalize o que era ilegal. O que está acontecendo no Parque Cristalino agora já foi visto em outras regiões de Mato Grosso graças ao interesse de grandes grileiros e fazendeiros. Não se pode afirmar ainda as causas deste incêndio, mas dificilmente uma área deste tamanho pegaria fogo de forma natural. É fundamental apurar os fatos e mais do que isso, garantir a proteção do Parque enquanto Unidade de Conservação de extrema importância para o meio ambiente.”

O Observatório Socioambiental de Mato Grosso (Observa-MT) também emitiu nota.

Confira:

O Observatório Socioambiental de Mato Grosso (Observa-MT) recebe com preocupação a informação de que um incêndio de grandes proporções consome área substancial do Parque Cristalino II. A unidade de conservação ameaçada pelo avanço do desmatamento e incêndios florestais é também alvo de imbróglio judicial sobre sua extinção. 

A área em chamas fica dentro do parque, distante pouco mais de 1 km da divisa com o Parque Cristalino I, e a 5 km de distância da divisa com a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) do Cristalino I (a oeste).

Segundo imagens de satélite, o fogo começou no sábado (13) em área recentemente desmatada, entre junho e julho. Até o domingo, a área atingida pelo fogo alcançava mais de 800 hectares. A área está inserida em imóvel rural inscrito no Sistema Mato-grossense de Cadastro Ambiental Rural (Simcar), sobreposto ao Parque Cristalino II demonstram as cicatrizes sobre uma área ambientalmente protegida.

Segue anexo mapas que mostram a localização da área, com floresta em maio, e área desmatada nos meses seguintes, e  as chamas no fim de semana.  

Atendendo a uma empresa privada, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso determinou a extinção do parque. Atendendo à decisão, sem ter recorrido em outros momentos possíveis no processo, a Procuradoria Geral do Estado determinou que a Secretaria de Meio Ambiente (Sema-MT) cumprisse a ordem judicial.

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