O mundo da comunicação está mudando muito rápido, e a Inteligência Artificial (IA) junto com as redes sociais são os grandes motores dessa transformação. Um estudo importante do Reuters Institute, também analisado pelo jornalista Alvaro Leme da revista Veja, nos ajuda a entender o que está acontecendo e como isso afeta quem trabalha com jornalismo e social media.
Não devemos lutar contra essa onda de mudanças, mas sim aprender a surfar nela.
Como alguém que atua na comunicação política e assessoria parlamentar, vejo de perto essas mudanças e como elas impactam a forma de nos conectarmos com as pessoas.
O relatório do Reuters Institute mostra que cada vez mais gente está usando a IA para se informar. Em apenas um ano, o uso de programas de IA para notícias subiu de 7% para 10% no mundo todo. Entre os mais jovens, esse número é ainda maior, chegando a 17%.
É interessante notar que quem já gosta de se manter informado e quem tem opiniões políticas mais fortes são os que mais usam a IA para notícias. A confiança nessas ferramentas ainda é baixa para a maioria das pessoas (20%), mas quem usa a IA para notícias confia mais (44%), o que sugere que a experiência positiva pode construir essa confiança.
Ao mesmo tempo, a Veja trouxe uma notícia bombástica: as redes sociais e os vídeos (54%) agora são a principal fonte de informação, superando a TV (52%) e os sites de jornais (51%). Isso mostra uma grande mudança, especialmente entre os jovens de 18 a 24 anos, que em sua maioria (56%) nunca tiveram o costume de ler jornais.
A confiança no jornalismo tradicional também está em baixa, com apenas 37% globalmente e um preocupante 36% no Brasil, onde quase metade das pessoas (47%) prefere evitar as notícias.
Para o jornalismo, tudo isso é um grande desafio. A perda de confiança e a migração do público para as plataformas digitais exigem que os veículos de comunicação repensem como produzem e entregam as notícias.
A preocupação de que a IA possa diminuir o número de acessos aos sites de notícias é real, já que poucos usuários de IA clicam nas fontes originais (apenas 4%), comparado com quem usa buscadores (19%) ou redes sociais (17%) [1]. Isso afeta diretamente a forma como o jornalismo se sustenta financeiramente.
Mas a IA também traz oportunidades. Ela pode ajudar os jornalistas a resumir informações, explicar temas complexos e aprofundar a pesquisa, liberando-os para focar em reportagens mais investigativas e análises.
A interação com os chatbots pode indicar que o público quer mais contexto e clareza, algo que o bom jornalismo sempre ofereceu. É fundamental que a imprensa aprenda a conviver com a IA, buscando formas de manter sua marca relevante e garantir que suas notícias sejam citadas pelas IAs, o que pode ajudar a evitar uma queda ainda maior na audiência.
Para quem trabalha com social media, especialmente na comunicação política, a força das redes sociais como fonte de informação é inegável. Não basta apenas compartilhar conteúdo; é preciso criar histórias verdadeiras e que realmente toquem as pessoas.
A humanização de um mandato, a gestão da imagem pública e a assessoria parlamentar, que são minhas áreas de atuação, se tornam ainda mais importantes nesse ambiente onde a confiança é escassa e a informação é fragmentada.
É essencial praticar a escuta ativa, ou seja, realmente ouvir o que as pessoas estão dizendo. As redes sociais são como a “praça pública” de hoje, onde os cidadãos buscam respostas e expressam suas preocupações. Ignorar comentários ou dar respostas prontas é como fechar a porta para essa conversa tão importante.
A IA pode ajudar a organizar e analisar um grande volume de mensagens, mas a resposta humana, com empatia e conhecimento, é insubstituível para construir credibilidade e confiança.
Em resumo, a IA e as redes sociais estão mudando tudo no mundo da informação. Para o jornalismo, é um momento de se reinventar, onde a credibilidade, a profundidade e a capacidade de se adaptar são mais importantes do que nunca. Para o social media, é a certeza de que uma presença digital bem pensada, baseada na autenticidade e na escuta, é crucial para engajar e construir relações duradouras.
Não devemos lutar contra essa onda de mudanças, mas sim aprender a surfar nela. A IA e as redes sociais não são inimigas, mas ferramentas que, se usadas com sabedoria, podem ampliar o alcance e o impacto do jornalismo e da comunicação política, garantindo que a informação relevante e confiável continue chegando ao público, mesmo em um cenário cada vez mais complexo e dinâmico.
Rafael Rosa é jornalista e social media em Cuiabá/MT.


























