Mato Grosso tem duas áreas protegidas entre as dez mais pressionadas pelo desmatamento na Amazônia Legal no segundo trimestre de 2026, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (30.07) pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). A Reserva Extrativista (Resex) Guariba-Roosevelt aparece na 6ª posição do ranking geral de unidades de conservação e terras indígenas com maior pressão de desmatamento, enquanto o Parque Indígena do Xingu ocupa o 9º lugar.
O estudo também destaca Mato Grosso entre os estados com maior número de áreas protegidas sob pressão, ao lado do Pará e do Acre. No recorte específico das terras indígenas, o cenário é ainda mais preocupante: o Parque Indígena do Xingu figura como a segunda terra indígena mais pressionada pelo desmatamento na Amazônia entre abril e junho, atrás apenas da Terra Indígena Yanomami (AM/RR). A Terra Indígena Aripuanã, também em Mato Grosso, aparece na quarta posição do ranking.
O relatório diferencia dois indicadores. A pressão ocorre quando o desmatamento é registrado dentro dos limites da área protegida, enquanto a ameaça corresponde ao avanço da derrubada da floresta no entorno desses territórios, em um raio de até 10 quilômetros. Segundo o Imazon, essa metodologia permite identificar áreas sob maior risco antes que o desmatamento avance para o interior das unidades de conservação e terras indígenas.
Para o pesquisador do Imazon Carlos Souza Jr., a permanência de áreas protegidas entre as mais pressionadas ao longo do tempo compromete a conservação da floresta e exige resposta dos órgãos públicos. “Esse histórico reforça a urgência de fortalecer o monitoramento, intensificar a fiscalização e punir os responsáveis para conter o avanço do desmatamento”, afirmou.
No caso das terras indígenas, a pesquisadora Bianca Santos alerta que a repetição desses territórios nos rankings representa risco não apenas para a floresta, mas também para as populações tradicionais. “O avanço do desmatamento compromete territórios fundamentais para a manutenção dos modos de vida dessas populações, além de afetar sua segurança alimentar, práticas culturais e a proteção da biodiversidade”, disse.
No ranking geral das áreas protegidas mais pressionadas, a liderança permanece com a Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, no Pará, que ocupa a primeira posição pelo quinto ano consecutivo. O estado paraense concentra quatro das dez áreas mais pressionadas do país no período analisado. Já entre as áreas mais ameaçadas pelo avanço do desmatamento no entorno, a Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre, aparece na primeira colocação.
O levantamento analisou o período entre abril e junho de 2026 utilizando uma metodologia que divide a Amazônia Legal em células de 10 por 10 quilômetros. A partir desse mapeamento, os pesquisadores identificam os territórios com maior concentração de alertas de desmatamento tanto em seu interior quanto nas áreas vizinhas, permitindo acompanhar a evolução da pressão sobre unidades de conservação e terras indígenas antes da consolidação da devastação.





















