As investigações que deram origem à operação Mare Liberum, deflagrada nesta semana pela Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público Federal, descobriram que um auditor da Receita Federal liberou a entrada no país de 144 mil latas de energéticos.
A liberação irregular aconteceu apesar da carga ter sido analisada e proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
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O g1 apurou que pela ação ilegal, o auditor ganhou, de acordo com a investigação, R$ 20 mil. O nome do servidor não foi divulgado.
A investigação encontrou indícios de irregularidades em quase 17 mil declarações de importação de julho de 2021 até março de 2026. Nessa lista, todo tipo de produto: de alimentos a equipamentos de óleo e gás. Carregamentos avaliados em R$ 86 bilhões.

“Alimentos que estavam sujeitos ao controle de autoridades sanitárias que não poderiam entrar no Brasil sem a anuência desses órgãos e, no entanto, devido ao esquema, acabavam entrando”, disse o corregedor-geral da Receita Federal, Guilherme Bibiani na entrevista na terça-feira (28) sem detalhar o caso.
A liberação irregular aconteceu em 2022. A carga de energéticos estava distribuída em 6 mil caixas.
Na ocasião, o delegado da Alfândega no Porto do Rio era Pedro Antônio Pereira Thiago, de 62 anos, alvo de busca nesta semana. Pedro Thiago pediu aposentadoria em 8 de abril. Ele foi nomeado como delegado da Alfândega em dezembro de 2020.

O g1 tenta contato com Pedro Thiago.
A 3ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro expediu 45 mandados de busca, tendo 25 servidores da Receita como alvos. Todos foram afastados de seus postos.
Dinheiro debaixo da cama, no piano
A Polícia Federal contabilizou o dinheiro apreendido na terça-feira (28) na casa de auditores fiscais da Receita Federal alvos da Operação Mare Liberum. Os valores em espécie, divididos entre reais, dólares, euros e libras, totalizaram R$ 5.093,859 milhões.
Na casa de um auditor em Copacabana, os policiais encontraram R$ 200 mil debaixo de uma cama. Já na casa de uma auditora na Barra da Tijuca foram R$ 830 mil no interior de um piano.






















