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GERAÇÃO NEM-NEM

Brasil tem 6,2 milhões de jovens que não estudam nem trabalham; maioria não fica nem um ano no emprego

Indicadores do MTE revelam instabilidade na trajetória dos jovens e crescimento do grupo fora do trabalho e dos estudos
Ceará tem cerca de 605 mil jovens “nem-nem”, que não trabalham nem estudam, segundo IBGE. — Foto: Natinho Rodrigues/Sistema Verdes Mares / G1

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Os jovens brasileiros estão entrando mais cedo no mercado de trabalho, mas ficam menos tempo nos empregos e enfrentam dificuldades para seguir um caminho estável entre estudo e trabalho.

O Brasil tem 32,9 milhões de jovens entre 14 e 24 anos. Desse total, apenas 13,9% estão ocupados, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e do CIEE divulgados nesta quinta-feira (25).

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Na outra ponta, 6,2 milhões não estudam nem trabalham. São os chamados “nem-nem”, que já representam 18,7% dos jovens. Esse número cresceu 12,7% em relação ao fim de 2025, quando eram 5,5 milhões.

Mesmo assim, os jovens não vivem uma única realidade. Muitos ainda estão na escola. No total, 12,8 milhões só estudam e 4,3 milhões conseguem conciliar estudo e trabalho. Juntos, eles são mais da metade dos jovens do país.

  • 39% só estudam
  • 29,1% só trabalham
  • 13,2% estudam e trabalham

A taxa de desemprego também pesa. Entre jovens de 18 a 24 anos, ela é de 13,8%, mais que o dobro da média nacional, de 5,8%. Já entre adolescentes de 14 a 17 anos, chega a 25,1%.

Entre os jovens que estão empregados, a maioria está no mercado formal, que representa 57,8% das vagas. Porém, mesmo com mais oportunidades e mais empregos com carteira assinada, o principal desafio mudou.

Antes, o mais difícil era conseguir o primeiro emprego. Agora, é conseguir se manter nele.

Entre os jovens que trabalham, 84% estão em funções mais simples, que exigem pouca qualificação. Apenas 2,15 milhões atuam em áreas técnicas ou em cargos que pedem ensino superior.

Isso também aparece nos salários. Cerca de 7,8 milhões ganham até um salário mínimo e meio, e outros 2,7 milhões recebem até um salário mínimo.

As profissões mais comuns mostram esse cenário:

  • Balconistas e vendedores (1,24 milhão)
  • Escriturários (1,07 milhão)
  • Auxiliares da construção civil (394 mil)
  • Recepcionistas (391 mil)
  • Caixas (367 mil)

Nesse contexto, aparece um dos sinais mais claros dessa instabilidade: o pouco tempo nos empregos. Entre adolescentes de 14 a 17 anos, 52% ficam menos de um ano na mesma função.

Trocar de emprego com frequência virou parte da realidade, principalmente no começo da vida profissional, segundo o MTE. Salários baixos, funções mais simples, contratos temporários e a busca por algo melhor ajudam a explicar esse movimento.

A rotina também pesa. Jovens de 18 a 24 anos trabalham, em média, 38,6 horas por semana, quase o mesmo que a média geral. Entre adolescentes, são 27,3 horas, muitas vezes divididas com a escola.

  • O resultado é um ciclo que se repete: o jovem entra no mercado, mas nem sempre fica tempo suficiente para ganhar experiência, crescer ou conseguir melhores oportunidades.

Mudança geracional

Essa diferença de comportamento fica mais clara quando se comparam gerações, conforma já evidenciado em outras reportagem no g1.

É o caso de Aurélio Santana e Raphaella Abrahão, que têm algo em comum: ambos trabalharam em seis empresas ao longo da vida. Mas em momentos bem diferentes.

Aurélio, hoje com 66 anos, representa uma geração em que estabilidade era vista como sucesso. Ele passou 43 anos na mesma empresa, a Anfavea.

Raphaella, de 22 anos, é da geração Z e tem outra forma de ver o trabalho. Nos últimos seis anos, mudou de emprego seis vezes.

“Estabilidade nunca foi meu objetivo. Prefiro estar em lugares onde eu possa aprender e me desenvolver”, diz Raphaella.

A comparação mostra uma mudança no jeito de pensar a carreira. No passado, ficar muito tempo na mesma empresa era sinal de realização. Hoje, muitos jovens dão mais valor a aprender rápido, ter flexibilidade e trabalhar em algo que faça sentido para a vida deles.

Aurélio vê isso de outra forma.

“O importante é chegar ao fim da carreira com segurança financeira, saúde e poder ajudar a família. Olhar para trás e ver que você teve uma trajetória útil. Isso é sucesso”, afirma.

O fenômeno do ‘job hopping’

Essa mudança tem até nome: job hopping, expressão usada para falar de pessoas que trocam de emprego com frequência em pouco tempo.

  • Para muitos jovens, isso não é problema, mas uma estratégia. Mudar de trabalho pode ser uma forma de aprender mais rápido, ganhar melhor e buscar ambientes com os quais se identificam.

Os motivos para sair de um emprego se repetem: novas oportunidades, falta de reconhecimento, ambiente de trabalho ruim, estresse, saúde mental e pouca flexibilidade estão entre os principais.

“Minha geração não quer ficar 20 anos no mesmo lugar. Eu fico enquanto estiver aprendendo e entregando resultado. Job hopping não é indecisão, é buscar algo que faça sentido”, diz Raphaella.

Especialistas explicam que esse comportamento não depende só do trabalhador. Ele também reflete mudanças no mercado, que hoje é mais instável, com novas formas de contratação e menos garantias.

Hoje, o desafio não é só entrar no mercado de trabalho. É conseguir ficar tempo suficiente para transformar experiência em carreira de verdade.

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