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OPERAÇÃO GORJETA

Câmara lê pedido para comissão que poderá cassar vereador em Cuiabá

Chico 2000 foi afastado do cargo pela Justiça sob acusação de desviar dinheiro
Chico 2000 (PL)

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A Câmara Municipal de Cuiabá deu o primeiro passo, nesta terça-feira (3), para analisar a abertura de uma Comissão Processante contra o vereador afastado Chico 2000 (ex-PL), acusado de quebra de decoro parlamentar. Chico 2000 está afastado do mandato pela segunda vez, agora em decorrência da Operação Gorjeta, deflagrada no dia 27 de janeiro pela Polícia Civil para investigar um esquema de desvio de R$ 676 mil em emendas parlamentares. Antes disso, ele já havia sido alvo da Operação Perfídia, da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), que investigou suspeita de propina em obras do Contorno Leste, e da Operação Rescaldo, da Polícia Federal, por suposta tentativa de compra de votos nas eleições de 2024. Na atual investigação, o vereador é suspeito de integrar um esquema de desvio de recursos públicos por meio de emendas parlamentares, sendo investigado por peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro que envolve a empresa Chiroli Uniformes e seu proprietário, o empresário João Nery Chiroli.

O pedido foi protocolado pelo advogado Julier Sebastião (PT), o mesmo que atuou na defesa da ex-vereadora Edna Sampaio (PT), que chegou a ter o mandato cassado por suspeita de rachadinha com verba de chefia de gabinete. Posteriormente, a Terceira Câmara de Direito Público e Coletivo anulou a cassação da ex-parlamentar, decisão tomada em sessão realizada no dia 9 de dezembro.

De acordo com a presidente da Casa, Paula Calil (PL), neste momento não há julgamento antecipado, mas sim a análise formal do pedido. Questionada sobre a convocação do suplente, Paula explicou que a decisão ainda depende de parecer jurídico. “Nós enviamos à Procuradoria para que ela emita um parecer contra a convocação do suplente. Assim que nós tivermos esse parecer em mãos, se for o caso, nós iremos convocar sim o suplente do vereador Chico 2000”, afirmou, durante entrevista após a 1ª sessão ordinária do ano.

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A presidente da Câmara afirmou que é cedo para falar em perda de mandato. “É muito cedo para nós falarmos em perda de mandato, cassação. Eu acredito que a instauração de uma comissão processante dá a oportunidade para que o parlamentar acusado possa dar as suas explicações, para que dê transparência”, disse.

O pedido de representação foi lido em plenário e, na sequência, encaminhado à Procuradoria da Casa, que vai analisar os requisitos de admissibilidade. “Foi feita a leitura do pedido em plenário e os vereadores darão o seu voto, se sim ou se não. Cabe ao plenário decidir a instauração de uma comissão processante”, completou.

A presidente também ressaltou que, apesar de a investigação policial tramitar em sigilo, o assunto já se tornou público. “Ainda nós não fizemos nenhum tipo de solicitação para ingressar no processo, porque o processo corre em segredo, em sigilo, por parte das autoridades policiais. Mas houve um vazamento pela imprensa e a gente sabe do teor da denúncia”, declarou.

Paula Calil defendeu que a Comissão Processante é o instrumento adequado para esclarecer os fatos à população. “É uma oportunidade para que ele possa explicar à sociedade o que de fato aconteceu, esclarecer. Nós não podemos fazer um julgamento de juízo de valor antecipado. Então nós temos que saber o que aconteceu. Ele precisa dar resposta”, afirmou.

Conforme a presidente da Câmara, o pedido de abertura da processante agora segue para a Procuradoria. “Ela que vai avaliar os requisitos de admissibilidade. Na quinta-feira nós retornamos em plenário, lemos o parecer e vai para a apreciação dos vereadores”, concluiu Paula Calil.

FORA DO PL

Chico 2000 já não integra o Partido Liberal. A saída foi formalizada em fevereiro de 2025, com carta de anuência assinada pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e pelo presidente estadual da sigla, Ananias Filho. A desfiliação também foi reconhecida pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso, que autorizou a saída do partido com manutenção do mandato.

Na ação, o vereador alegou “grave discriminação pessoal” dentro do PL e afirmou ser alvo de perseguição política, atribuindo ao prefeito Abilio Brunini a denúncia que resultou em um afastamento anterior de 125 dias.

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