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POLÍTICA TRIBUTÁRIA

Comissão do Senado debate projeto de Jayme Campos para impedir abusos na cobrança do ITR

Proposta estabelece critérios objetivos para cálculo do imposto, reduz insegurança jurídica aos produtores rurais e transfere à União a responsabilidade pela avaliação do Valor da Terra Nua (VTN)
Jayme Campos

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A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal realizou, nesta terça-feira (7), audiência pública para discutir o Projeto de Lei 1.648/2024, de autoria do senador Jayme Campos (União-MT), que propõe mudanças na cobrança do Imposto Territorial Rural (ITR). A iniciativa busca criar critérios objetivos para o cálculo do tributo, evitando distorções na definição do Valor da Terra Nua (VTN) e garantindo maior segurança jurídica aos produtores rurais.

Segundo Jayme Campos, o modelo atualmente utilizado permite interpretações subjetivas que acabam elevando indevidamente a carga tributária.

“O cálculo do ITR é incoerente e injusto e isto gera enorme insegurança jurídica aos produtores e eleva o custo produtivo. Não há um critério objetivo de apuração do Valor da Terra Nua que impeça a sobretaxação da propriedade, por isso a importância de debatermos e votarmos o projeto para termos critérios claros”, afirmou o senador.

Representando a Receita Federal, Gustavo Salton reconheceu que a legislação apresenta lacunas na definição do VTN e explicou que o próprio órgão precisou editar instruções normativas para suprir a ausência de parâmetros técnicos. Ele destacou que, embora o ITR seja um tributo federal, a legislação permite que os municípios fiscalizem e arrecadem o imposto, cenário que, segundo participantes da audiência, favorece distorções com finalidade arrecadatória.

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O advogado tributarista Guilherme Picinini afirmou que muitos municípios acabam supervalorizando o Valor da Terra Nua porque ficam com parte significativa da arrecadação do imposto.

Para ele, o projeto de Jayme Campos fortalece a segurança jurídica, principalmente para pequenos e médios produtores, que nem sempre possuem condições de contratar laudos técnicos ou recorrer administrativamente e judicialmente para contestar cobranças consideradas abusivas.

Na mesma linha, o assessor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Érico Goulart, criticou a falta de transparência na elaboração dos laudos municipais utilizados para definir o VTN. Como exemplo, citou o caso de Foz do Iguaçu, onde o valor do hectare teria saltado de R$ 168 mil para quase R$ 600 mil em apenas um ano, retornando posteriormente para R$ 183 mil, sem justificativas técnicas acessíveis aos contribuintes.

Pela proposta apresentada por Jayme Campos, a competência para avaliar o Valor da Terra Nua e conduzir os processos administrativos relacionados ao ITR passaria a ser da União, substituindo o atual modelo em que os municípios elaboram as tabelas de referência utilizadas na cobrança do imposto.

Outro ponto debatido durante a audiência foi a exclusão da incidência do ITR sobre áreas invadidas. A representante da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Cláudia Roveri, defendeu critérios mais rigorosos para comprovação dessas situações, sugerindo a exigência de laudo técnico, ação de reintegração de posse e delimitação precisa da área afetada.

Já o representante da Aprosoja Mato Grosso, Anaximandro Almeida, argumentou que o boletim de ocorrência deve ser considerado documento suficiente para comprovar invasões, posição reforçada pelo presidente da audiência, senador Jaime Bagattoli (PL-RO). Segundo ele, o Valor da Terra Nua não pode ser confundido com o valor de mercado do imóvel e deve excluir benfeitorias, culturas permanentes e temporárias, pastagens cultivadas e áreas em que o produtor esteja impedido de exercer atividade econômica.

A proposta seguirá em tramitação no Senado após a conclusão das discussões na Comissão de Assuntos Econômicos.

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