A coluna do jornalista Lauro Jardim, publicada neste domingo em O Globo, expôs um dado que deveria provocar reflexão no sistema de Justiça de Mato Grosso. Segundo levantamento do Observatório da Branquitude, o Estado apresenta a maior distância do país entre a composição racial da população e a da magistratura. Embora aproximadamente 66% dos mato-grossenses se declarem negros, apenas 2% dos magistrados do Tribunal de Justiça pertencem a esse grupo.
O contraste fica ainda mais evidente quando a comparação é feita dentro do próprio sistema de Justiça. No Ministério Público de Mato Grosso, o mesmo levantamento mostra que 67% dos membros são negros, percentual praticamente idêntico ao perfil demográfico do Estado. Ou seja, uma instituição conseguiu aproximar sua composição da realidade da sociedade; a outra continua muito distante desse objetivo.
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Os números não significam, por si só, que haja discriminação individual na seleção de magistrados. Mas revelam que, estruturalmente, o acesso às carreiras da magistratura ainda não reflete a diversidade da população que elas julgam. Em tempos em que o Judiciário discute inclusão, equidade e representatividade, Mato Grosso acaba aparecendo no topo de um ranking que ninguém gostaria de liderar.
O estudo, divulgado por O Globo, reacende um debate que dificilmente será ignorado: afinal, como explicar que um Estado majoritariamente negro tenha um Judiciário em que essa maioria praticamente não aparece?
























