Dois inquéritos sigilosos que tramitam no Superior Tribunal de Justiça (STJ) investigam a atuação de fintechs e empresas ligadas ao Banco Mater em Mato Grosso.
Conforme apurou a reportagem, o dois inquéritos foram propostos pela Procuradoria-geral da República, ainda em 2025, diante de denúncias formuladas ao órgão em Brasília.
A tramitação ocorre no STF em razão de quem um dos investigados teria prerrogativa de fora por função. O STJ é o foro responsável pelo julgamento de governadores, desembargadores e conselheiros de Contas.
Um dos inquéritos teria como alvo a atuação de empresas ligadas ao Master no caso dos consignados, onde milhares de denúncias são apuradas relacionadas à fraudes e cobrança de juros abusivos.
Já o segundo inquérito teria como foco o acordo firmado entre o Estado de Mato Grosso e a operadora Oi, no valor de R$ 308 milhões, onde os valores repassados a um escritório de advocacia foram parar em fundos ligados ao Master.
A reportagem apurou que os dois inquéritos estão sob a relatoria dos ministros Benedito Gonçalves e Nancy Andrighi.
O STJ não confirmou as informações da reportagem porque alegou que não pode comentar casos sob sigilo. O mesmo foi informado pela Procuradoria-geral da República.
No entanto, uma certidão mostra que as denúncias feitas à PGR referentes ao Caso Oi foram enviadas ao STJ “em virtude da existência de investigação sob sigilo naquela Corte Superior”.

Relatores estão envolvidos em polêmicas
O ministro Benedito Gonçalves recentemente foi envolvido em polêmica envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. Isso porque ele foi um dos participantes de um evento bancado por Vorcaro em 2024.
Em abril deste ano, segundo a CNN Brasil, Benedito Gonçalves declarou-se suspeito para atuar em processos envolvendo o Banco Master.
Ele também ficou famoso nacionalmente ao ser flagrado em uma conversa privada – em um evento público – com o ministro Alexandre de Moraes, à época presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde disse “missão dada é missão cumprida”.
Já Nancy Andrighi teve o seu gabinete envolvido em esquema de venda de sentenças.
Um de seus assessores – já exonerado – foi alvo da operação desbaratada a partir da análise do celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado em 2023, e que revelou um grande esquema de comércio de decisões judicias no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e no STJ.





















