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ENOCK CAVALVANTI

MILHÕES DE PREJUIZO PRO TRABALHADOR – Governo de Mauro Mendes vem enrolando servidores no caso da fraude dos consignados, conta Antônio Wagner. VEJA VIDEO

Com a desarticulação do Fórum Sindical de Mato Grosso, as lutas dos servidores públicos mato-grossenses se tornou bem mais árdua, nos anos mais recentes
Sindicalista Antônio Wagner de Oliveira , Sindicalist Edmundo César e Jornalista Enock Cavalcanti - FOTO: reprodução

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Com a desarticulação do Fórum Sindical de Mato Grosso, as lutas dos servidores públicos mato-grossenses se tornou bem mais árdua, nos anos mais recentes. Alguns dos sindicatos não consegue se organizar para um enfrentamento eficiente diante do patrão dos servidores, que é o governo do Estado, sob atual gestão do empresário e governador Mauro Mendes (UB).

Um dos sindicatos que vem conseguindo manter a resistência é o Sinpaig – Sindicato dos Profissionais da Àrea Instrumental do Poder Executivo de Mato Grosso. Participando da 1ª edição do Podcast “Verdade Sem Frescura”, o sindicalista Antônio Wagner de Oliveira, presidente do Sinpaig, conversou longamente, no dia 10 de setembro, com o sindicalista Edmundo César e com o jornalista Enock Cavalcanti, que são os produtores e apresentadores do podcast.

A conversa deixou evidente que os servidores do Serviço Público estadual estão atravessando uma situação que se pode dizer desesperadora. São milhares de endividados, com a corda no pescoço e a conta no vermelho, como resultado da multiplicação dos empréstimos consignados, celebrados debaixo de condições que tem se revelado aviltantes, e que vinham sendo impostas pelas instituições financeiras contratantes, que tiveram seus interesses priorizados dentro das condições de contratação que impuseram aos servidores e com as quais a Seplag MT – Secretaria de Planejamento e Gestão do Governo do Estado, aparentemente, de ínicio, teria concordado plenamente.

Diante da carência financeira da maioria dos servidores, os contratos consignados se multiplicaram até atingir uma situação explosiva, com muitos servidores contratantes chegando a comprometer uma média de 70% de sua remuneração com o pagamento das parcelas destes empréstimos. Quer dizer, mergulharam em um poço sem fundo. Antônio Wagner, na conversa, aponta a aparente responsabilidade da Seplag que não se impôs, quando se constatou que as instituições financeiras passaram a praticar um jogo aparentemente sujo, alterando regras dos contratos a seu bel prazer, sem informar os servidores contratantes destas alterações, o que elevou muitas das dívidas a um montante escorchante.

De nada valeram os alertas dados pela CPI do Endividamento, comandada na ALMT em 2018 pelo então deputado Guilherme Maluf. A gestão de Mauro Mendes, pelo que diz Antônio Wagner, parece que resolveu contrariar completamente as orientações emanadas da CPI comandada por Maluf, e vem contribuindo para que centenas e centenas de servidores e servidoras fiquem cada vez mais encalacrados, com dívidas que não podem pagar.

De acordo com o presidente do Sinpaig, um dos grandes desafios que o seu sindicato enfrenta é a articulação de um número maior de entidades sindicais para se somarem nesta luta pelo completo esclarecimento das fraudes dos consignados e pela possível anulação dos contratos impostos pelas financeiras e que se revelem draconianos e lesivos ao bolso do servidor de Mato Grosso. São vários os sindicatos e sindicalistas que se mantém na moita, esperando pelo que vai acontecer, enquanto o Sinpaig e um pequeno grupo formado até aqui por entidades como o Sintep, a Adunemat, vão traçando planos, contratando assessoria jurídica e econômica, para fazer frente à muralha de dificuldades que os bancos que estariam explorando os servidores lhes impõe.

Na conversa com Edmundo e Enock, Antônio Wagner, pragmático, chegou a falar do risco de vida que uma luta como esta lhe traz. Afinal são interesses econômicos e políticos enormes que estão em jogo. E dois advogados mato-grossenses, Roberto Zampieri e Renato Gomes Nery foram mortos a tiros, recentemente, nas ruas de Cuiabá.

O desafio mais recente é a proposta, apresentada pelos sindicalistas, para a abertura de uma nova CPI dos Consignados a ser instaurada no âmbito da Assembleia Legislativa de Mato Grosso. O sindicalista conta com adesão entusiasmada, no primeiro momento, de parlamentares como a deputada Janaina Riva (MDB), mas teme que o governador Mauro Mendes possa movimentar sua base para barrar a proposta e manter a questão dos consignados no limbo, disputando espaço com as “grandiosas” realizações do atual governo estadual no noticiário regional. Enfim, o Governo do Estado detém a máquina e os 106 mil servidores mato-grossenses contam, basicamente, com sua capacidade de resistir que, algumas vezes, pode fraquejar.

O inteiro teor da explanação do sindicalista do Sinpaig está no video, para quem tiver o interesse e a paciência de conferir. Voltaremos ao assunto.

ENOCK CAVALCANTI, 72, é jornalista e editor do blogue PÁGINA DO ENOCK que edita a partir de Cuiabá, Mato Grosso, desde o ano de 2009.

 

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